quinta-feira, 16 de abril de 2026

Nas memórias das letras e grutas

 Por Ronaldo Faria


O entardecer se faz crepúsculo na orgia que une luz de sol e nuvens brancas que escurecem sob as montanhas que nada mais são do que entranhas que viajam no céu avermelhado e amarelo que bronzeia a cadela caramelo. Entre pedras de um santo que pede para ver e crer, nas letras diversas das efemérides plenas, o tempo se perde em pedras e paixões. Nas entranhas, de mochilas encilhadas na própria estrada, calcinadas nas montanhas brancas de pó e fuligem, casais vão a se misturar na maré além-mar. No olhar, mistura de paixão e brancas névoas de brisa a se largar, o amor de dois corpos se entrega a mais um trago. Largado em seus próprios pensamentos, feito unguentos que curam até o santo preso numa cruz, o poeta cumpre a complacência de apenas sê-lo. Ser do tempo de lamber selos e envelopes de carta com a língua pra se entregar à saudade transitória que está em trânsito entre os olhos e o coração. Na cachoeira que se estreita aos sentidos vãos, uma brincadeira entre a dor e o sobrenatural. 

(Com Ventania na cuca)

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