Por Ronaldo Faria
-- Esquecer resto de cerveja na lata ou na garrafa? Isso não pode.
-- Não fode, Adamastor!
-- Não fode é o caralho! Sabe quanto custa essa bosta!
-- Sei, senão nem estaria aqui.
A discussão etílica dos dois amigos quase vira pugilato não fosse Jacinto, garçom e muito mais que isso, amigo.
-- Gente, vamos parar! Vocês nunca se gostaram. É logo agora que vão se amar?
A voz do único que naquele momento estava sóbrio, não fosse o ópio fumado no banheiro do bar, foi definitiva. Clarêncio e Honório decidiram parar o bate-boca e virar outro copo de cangibrina.
-- Foi mal, desculpa...
-- Tudo bem, também me excedi.
-- Vamos pedir outra?
-- Claro. Estamos aqui pra isso.
Amigos de tempos muitos atrás, sabiam e anteviam a dormência e inclemente clemência que a cabeça a doer no dia do amanhã traria. Mas, no inferno que o demônio ou Satanás é o mentor na alegria e na dor, faça-se o pecador louvor.
-- Severino, não liga para nossa quase briga. Está tudo bem. Mantem a conta aberta e deixa chegar mais umas tantas saideiras.
Quase a dormir no frigir dos ovos de um Americano completo que na chapa fervia, Severino, dono do bar, severo nas regras da boa companhia, decide esquecer o que viu e serviu uma na categoria canela de pedreiro.
-- Cacete, por isso que a gente nunca vai deixar de vir aqui. Quase congelada é do caralho!
Defronte da cena longe de ser abstêmia, o escritor, quase travado igual, decide dar um ponto final.
-- Entenderam? Ponto final! Querem que desenhe? Fui!
Nenhum comentário:
Postar um comentário