Por Ronaldo Faria
Há Nirvana? Saber-se-á... Há
céu na Terra? Quem provará ou dirá? Paraíso pode existir? Com certeza na incerta
descoberta feito coberta não desforrada na tarde que se expande ao nada do
universo de versos, há. Dois corpos entrelaçados, colados, com duas bocas juntas numa
só são o quadro que as escolas de pintura deixaram de celebrar. Olhares de
dois olhos de cada um num único ver e enxergar que o amor pode se perpetuar. Na
realidade que voa e revoa, povoa limiares e cheiros que ficam e se vão feito
unção tardia, a certeza da vida. Nos despojos que ficaram para trás, alhures
canção que rasga a cena que vaticina a crença da mansidão na imensidão, o
desejo do tempo parar.
— Somos felizes em nos termos
e era assim que devia ser e ter sido.
— Mesmo com o passado que numa
esquina se foi por ser aprendiz da poesia na sua essência da perda?
— Com certeza.
O importante na cena é que ambos,
redundantemente dois, estão num só. São um só. Como fossem cometa apátrida que voa entre todo
o universo à espera de chegar nalgum lugar. E perdido, no verso, de repente
se dá conta de que o universo é muito grande. Que basta um quadrado com direito
a falso fado para sê-lo. E o pífio tempo então se esvai em quadrantes de utopia nas
cercanias que a felicidade ainda pode dar.
— Queria acordar ao teu lado,
te tocar em mil agrados, dizer que te amo e sempre te amei, do começo do mundo
até seu fim.
Nos lábios que riem com a
plenitude do encontro, doidivanas esperanças do porvir pedem para pedir
passagem e junto sorrir. Do lado de fora, o mundo a viver uma cisão cretina se
espanta de que ainda haja tal sentimento a ser ou pensar.
(Com Celso Fonseca a mostrar que trilha sonora ainda há)
