terça-feira, 23 de junho de 2026

Vida existe pra se viver

  Por Ronaldo Faria


Há Nirvana? Saber-se-á... Há céu na Terra? Quem provará ou dirá? Paraíso pode existir? Com certeza na incerta descoberta feito coberta não desforrada na tarde que se expande ao nada do universo de versos, há. Dois corpos entrelaçados, colados, com duas bocas juntas numa só são o quadro que as escolas de pintura deixaram de celebrar. Olhares de dois olhos de cada um num único ver e enxergar que o amor pode se perpetuar. Na realidade que voa e revoa, povoa limiares e cheiros que ficam e se vão feito unção tardia, a certeza da vida. Nos despojos que ficaram para trás, alhures canção que rasga a cena que vaticina a crença da mansidão na imensidão, o desejo do tempo parar.
— Somos felizes em nos termos e era assim que devia ser e ter sido.
— Mesmo com o passado que numa esquina se foi por ser aprendiz da poesia na sua essência da perda?
— Com certeza.
O importante na cena é que ambos, redundantemente dois, estão num só. São um só. Como fossem cometa apátrida que voa entre todo o universo à espera de chegar nalgum lugar. E perdido, no verso, de repente se dá conta de que o universo é muito grande. Que basta um quadrado com direito a falso fado para sê-lo. E o pífio tempo então se esvai em quadrantes de utopia nas cercanias que a felicidade ainda pode dar.
— Queria acordar ao teu lado, te tocar em mil agrados, dizer que te amo e sempre te amei, do começo do mundo até seu fim.
Nos lábios que riem com a plenitude do encontro, doidivanas esperanças do porvir pedem para pedir passagem e junto sorrir. Do lado de fora, o mundo a viver uma cisão cretina se espanta de que ainda haja tal sentimento a ser ou pensar.
 
(Com Celso Fonseca a mostrar que trilha sonora ainda há)

Vida existe pra se viver

   Por Ronaldo Faria Há Nirvana? Saber-se-á... Há céu na Terra? Quem provará ou dirá? Paraíso pode existir? Com certeza na incerta descobe...