segunda-feira, 25 de abril de 2022

À Júlia Vargas

 Por Ronaldo Faria

Brincadeiras de sons, onomatopeias de soluções e solidões. Lamentos vis e febris. À voz, o algoz. Vilarejos benfazejos e anjos arcados e praguejos. Sertanejos de marés e viés. À lucidez, mil barnabés. Ao que puder vir, que seja o que vier. Maracatus, sons de Nordeste, vida em presto e vazia de si mesma, à crisma nunca feita. Talvez um desejo de morte, à sorte ditada. Um beijo de língua, à mingua, a se esvair nas ondas pequenas que batem do lado da cama que dorme ao fado primeiro. Ao fastio que se denota em si, a foda redescoberta na madrugada insone que levanta sons e poeiras. Candeeiros que iluminam seu próprio destino de morrer ao fim do querosene. No limite entre a lucidez e o improvável, o calado e insone poeta se faz blasfêmia e essência. Na cadência do som, a essência de querer pouco virar. Entre o começo e o fim, há um pedaço de ar a se respirar...

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