quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Ao som de Jorge Vercillo

 Por Ronaldo Faria

Sobe a escada que vai dar na quimera. Logo ali, uma esfera esconde a fera em si. Um pedaço de mulher, um triz à entrega do amor da meretriz. Uma ensandecida descoberta liquefeita numa fonte sem água. Uma fronte que já não há. Talvez um batuque intrínseco e seco no mundo em descalabro e guardado no primeiro fim. Na fundição que difunde amores e corpos, cópulas e ossos, a onisciência funde degraus a mil graus que a mente grassa aos muros de Berlim. Pródigos serão os amores senis. Talvez uma alquimia que nem o Himalaia mais alto terá. A vertiginosa e pródiga verdade que a indômita vida, quiçá ávida, não dá ou faz.

Sobre a escada, na mais deslavada e cândida unção de uma fada, a fatídica chegada. A enegrecida saudade de tempos floridos e aflitos por não ser. Um enlouquecido e esquecido sexo que à Via Láctea orbita sem se perder. Aflita, a demência da solidão pede passagem para depois da fita. À frente, incestuosa e carnívora, a falácia se embriaga no avesso da dor. Onde um louco com camisa de força se esforça para dar adeus. Ele, porém, não crê em Deus. Cercado de tantos outros ensandecidos é só mais um pedaço carcomido. Acima, um sol chama o dia de meu bem. O que ainda tiver de vir será pedaço de algo e outro tanto de mero além no por vir.

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