sexta-feira, 4 de novembro de 2022

A guitarra jazzística de Wes Montgomery

Por Edmilson Siqueira 

Ele começou a tocar aos 20 anos e morreu aos 45. Mas sua obra foi tão importante que ele é comparado, em termos de influência do seu estilo de tocar guitarra, a Pat Metheny e George Benson, dois gigantes do jazz. Trata-se de Wes Montgomery, nascido em 1926 em Indianápolis.  


Wes tocava guitarra de uma maneira pouco ortodoxa, já que usava o polegar em vez da palheta, bem como um modo único de tocar em oitavas ou em block chords, o que tornava a sua guitarra mais expressiva e melodiosa. Sua extrema liberdade e fluidez no instrumento chamaram, desde o início, a atenção de músicos como Cannonball Adderley, e em 1960 lhe valeriam o prêmio New Star da revista DownBeat. 


Tenho apenas um disco dele e, por sorte é uma coletânea da série Jazz Master, da EMI, lançado em 1997. Logo de cara, "Billie's Bounce (Parker), gravada em 1957, anuncia um jazz pegado e esperto, com um conjunto completo, de piano, bateria, contrabaixo, sax e, claro, a guitarra de Wes com sua agilidade natural. Infelizmente o disco não tem créditos dos músicos, todos ótimos, que fazem parte do conjunto.  


A segunda faixa traz "Leila", do próprio Montgomery, também de 1957, uma balada bem romântica onde a guitarra de Wes prefere o improviso, deixando o solo da melodia para os metais.  

"Stomping' At The Savoy, (Sampson, Webb, Goodmann e Razaf) serve também para Wes e seu grupo mostrarem toda agilidade e talento na decantação de um tema de jazz. Uma aula, com destaque para o piano e o vibrafone.

"Stranger in Paradise" (Robert Wright e George Forrest) de 1958, do musical "Kisnet", tem uma versão rápida do conjunto. A seguir vem outra de Montgomery, "Renie", também de 1958, onde piano e contrabaixo conversam na introdução, anunciando a guitarra suave de Wes. 


"Wes's Tune", também de Montgomery é a sexta faixa, com uma melodia que ficou famosa e foi regravada por muitos grupos de jazz.  


Já a sétima faixa traz um clássico, "Summertime", de dos irmãos Gershwin e Heyward. Sem mais delongas, Wes entra na melodia com sua guitarra, com piano, contrabaixo e bateria de acompanhamento, deixando todo o improviso inicial que a música sugere aos jazzistas para o piano. Mas volta depois par solar e encerrar em grande estilo. Um show a interpretação de todos, desse clássico que extrapolou o teatro - foi escrita para a ópera "Porgy And Bess" - e ganhou o mundo como uma das músicas mais gravadas de todos os tempos. 


"Montgomeryland Funk" é o nome da oitava faixa. A faixa mais alegre do disco, com introdução de metais para a guitarra de Wes ganhar corpo e passear num longo improviso.  


Outro clássico, "Bauble, Bangles & Beads", também de Robert Wright e George Forrest, aparece na nona e penúltima faixa. A lenta melodia parece ter sido feita à perfeição para a guitarra de Wes. Depois de seu solo, quem assume os trabalhos é o vibrafone num bonito arranjo, preparando a reentrada da guitarra em grande estilo. 


A última faixa é "Hymn For Carl" (H. Land), que segue esquemas anteriores, onde os metais e o piano se incumbem de apresentar a melodia inicialmente, para bem à frente, deixar a guitarra assumir o comando. Outro show do grupo. 

Trata-se de um disco muito bom para os amantes do jazz, pois, além do grande talento de Wes, ele se cercou de músicos extraordinários, realizando impecáveis gravações. O disco que tenho é importado, mas você pode encontrá-lo à venda em alguns sites da internet. E pode ser ouvido inteiro no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=ZiVSH_KmgfM&list=OLAK5uy_m2K5ofRbRWkBD8ZwQuSPuiEzKl5QY90v0 . 

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