quinta-feira, 25 de maio de 2023

Os Cariocas

 Por Ronaldo Faria

 


Simbiose ou osmose? Onde se misturam as emoções e as desgarradas sensações que dobram esquinas, sinas, sanguinolentas notas que lembram a única música aprendida num violão – o Samba de nota só. Hoje, porém, é só cantada, virou nas dedilhadas mero pó. Afinal, nada mais era do que conquistar a morena artista e violonista erudita nos primórdios do amor. E ela se foi, junto com os prédios do Leblon, o tom e o som. Rio de Janeiro, matreiro e guerreiro, feito São Sebastião. Coisa de nascedouro, mistura de cheiro de creolina (que tanto amo) e de um tesouro encontrado nas areias que servem de nascedouro e morredouro de um mar que se acalanta nas coxas da mulher que desvanece no quase luar. Hoje, mais uma vez e sempre, meu Rio voltou – imenso, sedento de lembranças, ancas da índia primeira e amada do Méier, de cabelos longos, trovas e coisas alhures num sempre talvez e na vez da cascata que cai em Cascatinha. Quem sabe a musa etérea e louca de Ipanema na loucura que cada um de nós tem, ou a moça de Madureira, a outra de Olaria, aquela de uma orgia qualquer numa ilha ou no Sul do Brasil. A de Copacabana a deflorar o poeta/menino em tesão. Simbiose ou osmose? Saber-se-á. Só vou dizer, como a canção mostra: o amor foi feitinho pra dar...

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