domingo, 3 de agosto de 2025

Um gigante do jazz que viveu só 30 anos *

Por Edmilson Siqueira


"A vida de Chick Webb foi em parte tragédia, em parte triunfo e cheia de ironia. Nascido aleijado, Webb se destacou no mais físico dos instrumentos, a bateria. Junto com Jo Jones (que ele precedeu), Webb foi o mais influente baterista da era do swing, mais até que Gene Krupa (que o idolatrava) que ganhou mais publicidade e fama. Webb tinha uma das maiores big bands de jazz dos anos de 1930, embora hoje seja mais conhecida por lançar Ella Fitzgerald, uma cantora a quem Webb foi, inicialmente, relutante em admitir, mas que foi posteriormente celebrada como sua grande descoberta." 
O texto acim é parte do que escreve Scott Yanow, crítico e historiador de jazz norte-americano, no encarte que acompanha a coletânea "Standing Tall", de Chick Webb & His Orchestra, com algumas participações de Ella Fitzgerald.  
A cantora, que ganhou grande e merecida fama depois, nem é a atração principal do disco. Além do supremo baterista, são destaques na capa do CD, Taft Jordan, Bobby Starkm Dick Vance e Teddy McRae, grandes instrumentistas que ajudavam a manter a fama de uma das melhores orquestras dos anos 1930 nos EUA. 
Essa coletânea, da Alamac Records, lançada em 1996, busca resgatar e preservar o legado do jazz dos anos 1930. E esse CD é uma prova sonora da genialidade de um dos maiores bateristas e líderes de banda do swing. Embora Webb tenha vivido apenas até os 30 anos, sua influência foi gigantesca — e, como o título do álbum sugere, ele permanece "de pé" na história da música, como um gigante que moldou o curso do jazz. 
Chick Webb, nasceu em 1905, em Baltimore, e enfrentou desde cedo sérios problemas de saúde. Sofria de tuberculose espinhal (conhecida como mal de Pott), o que comprometeu seu crescimento físico e o deixou com graves limitações. Mas ao invés de ceder, ele encontrou na bateria uma forma de expressão poderosa e libertadora. Seu estilo era explosivo, preciso, energético — um verdadeiro motor rítmico para a big band que liderava com mão firme no Savoy Ballroom, no Harlem, em Nova York. 
O CD também serve como um testemunho do início da carreira da grande Ella Fitzgerald. Quando Webb a descobriu, ela era uma adolescente desajeitada, tímida e com pouca experiência. Mas, depois de uma rejeição inicial, o líder da banda viu potencial. Com sua voz cristalina e swing natural, Ella logo se tornaria a estrela do grupo.  


Além de Fitzgerald, a orquestra de Webb abrigou músicos de alto nível como o saxofonista Chauncey Haughton, o trompetista Taft Jordan e o arranjador Edgar Sampson, responsável por clássicos como "Stompin’ at the Savoy". A interação entre esses músicos, sob a batuta vigorosa de Webb, fazia da banda uma verdadeira máquina de swing — talvez a mais afiada da época, rivalizando com as de Benny Goodman e Count Basie. 
Scott Yanow assim finaliza seu artigo no encarte da coletânea:  
"Chick Webb morreu de tuberculose em 16 de junho de 1939. Ella Fitzgerald ainda ficou na banda por mais dois anos. E, nas décadas seguintes, Gene Krupa, Buddy Rich e Louie Bellson, mantiveram vivo o nome de Chick Webb, louvando constantemente seu swing, sua técnica e seu modo de dirigir a orquestra. Agora, nesse disco, os ouvintes de hoje podem conhecer o legado musical do imortal Chick Webb." 
A coletânea é composta por 12 faixas: 
1 - Blue Room (Rodgers e Hart) 2 - Deep In A Dream (Von Heusen e DeLonge) 3 - Breakin' Em Down 4 - Sugar Blues (Willians e Fletcher) 5 - Tain't What You Do (S.Oliver) 6 - One O'Clock Jump (C. BAsier) 7 - Stars & Stripes Forever (J. P. Souse) 8 - I Never Knew Heaven Could Speak (Gordon e Revel) 9 - Poor Little Rich Girl (N. Coward) 10 - It I Didn't Care (J. Lawrence) 11 - My Wild Irish Rose (Scott e Chauncey) 12 - Chew, Chew, Chew (Fitzgerald, Web e Ram) 
O CD está à venda nos bons sites do ramo e pode ser ouvido na íntegra no YouTube em https://www.youtube.com/watch?zSBdl0vaAoA&list=PLj0znMzyCQIBO_Gic5qKDGPtTRdKMU_kx 


*A pesquisa para este artigo foi auxiliada pela IA do ChatGPT.

Um comentário:

  1. Que pecado, como viveu pouco... Vou correndo ao Spotify, meu playground da vida (engraçado, como o Gene Krupa parecia mesmo um bom sujeito...) Obrigada!

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