Por Edmilson Siqueira
Há um ano eu escrevi aqui um artigo sobre um disco do grupo Manhattan Transfer, que eu gosto muito. Ótimas músicas e, principalmente, uma enorme qualidade vocal aliada à excelentes arranjos.
E hoje volto ao grupo, mas para falar de uma coletânea dele que me chegou. São 16 faixas que dão uma boa ideia da qualidade de seus quatro componentes - dois homens e duas mulheres.
O disco tem o singelo nome de "The Best Of", usado para a maioria das coletâneas e foi produzido na Alemanha. Tem uma parca produção gráfica. Só a capa com o nome das músicas que se repete na contracapa, sem nome de qualquer compositor nem a data da gravação.
Essas falhas acabam sendo perdoáveis quando a qualidade do disco compensa, como é o caso. Mas dá muito mais trabalho procurar na rede, às vezes música por música para colocar o nome dos autores. A IA ajuda nessas horas.
Minha admiração pelo grupo começou há tempos, quando ouvi em alguma rádio de jazz ou comprei o primeiro CD lá na Hully Gully Discos. Apesar da admiração, só tenho dois discos deles. Mas garimpando no YouTube e transformando as músicas em MP3, tenho no micro várias músicas interpretadas pelo grupo.
Eles começaram em 1969 e, na verdade, poucos grupos vocais conseguiram atravessar décadas mantendo um padrão artístico tão elevado quanto o The Manhattan Transfer. O quarteto tornou-se uma referência mundial na arte da harmonia vocal, transitando com rara elegância entre jazz, pop, rhythm and blues, doo-wop e música vocal contemporânea. Essa coletânea reúne alguns dos momentos mais marcantes dessa trajetória, funcionando tanto como porta de entrada para novos ouvintes quanto como uma celebração da impressionante carreira do grupo. Cabe assinalar que ela foi gravada no fim dos anos 1980, deixando de fora, obviamente, o que se produziu depois e não foi pouco.
Dessa safra, que termina em 1987, o último CD foi um chamado Brasil, com músicas de Djavan, Ivan Lins, Vitor Martins, Milton Nascimento e Márcio Borges, além de alguns compositores norte-americanos.
O som do Manhattan Transfer pode ser considerado como uma identidade única. Enquanto muitos grupos vocais se limitavam a um único estilo, eles abraçaram uma enorme diversidade musical. O resultado foi uma discografia rica e sofisticada, marcada por arranjos complexos e uma afinação impecável.
A coletânea apresenta sucessos que ajudaram a transformar o grupo em um fenômeno internacional. Entre eles está a inesquecível “Birdland”, composição do grupo Weather Report que ganhou uma versão vocal considerada por muitos uma obra-prima do vocal jazz. O arranjo demonstra a habilidade do quarteto em transformar uma peça instrumental complexa em uma experiência vocal fascinante. As vozes funcionam como instrumentos, reproduzindo linhas melódicas e texturas que desafiam os limites da música vocal tradicional.
Outro destaque é “Boy From New York City”, uma gravação contagiante que levou o grupo às paradas de sucesso no início dos anos 1980. A faixa combina elementos do doo-wop dos anos 1950 com uma produção moderna e vibrante. Seu clima descontraído ajuda a explicar por que se tornou um dos maiores êxitos da carreira do conjunto.
A coletânea também evidencia a paixão do grupo pelo jazz. Em diversas faixas, o ouvinte encontra referências à era das big bands e ao swing clássico. O Manhattan Transfer não apenas homenageia esse repertório, mas o recria com uma abordagem contemporânea. Os arranjos são sofisticados sem perder a leveza, e a técnica vocal impressiona sem soar exibicionista.
Grande parte desse sucesso deve-se à formação clássica do grupo, composta por Tim Hauser, Janis Siegel, Alan Paul e Cheryl Bentyne. Juntos, eles desenvolveram uma química rara. Cada voz possui personalidade própria, mas o resultado coletivo é sempre harmonioso e equilibrado. Essa combinação tornou-se uma das marcas registradas do grupo.
De 1987 até dezembro de 2023, o grupo gravou muita coisa, mas foi nesse ano que a atividade foi encerrada. Uma apresentação no Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, marcou o fim da "Final World Tour", a turnê de despedida que comemorou os 50 anos de história e do legado do quarteto.
A seleção de músicas, com seus respectivos autores (obrigado IA) é a seguinte:
- Tuxedo Junction (Erkskine Hawkins, William Johnson, Buddy Feyne e Julian Dash)
- Operator (William Spivery)
- Chançon D'Amour (Wayne Shanklin)
- On a Little Street in Singapoure (Peter DeRose e Billy Hill)
- Four Brothers (Jimmy Giuffre, Jon Hendricks)
- Twilight Zone A (Bernard Herrmann, Jay Graydon e Alan Paul)
- Twilight Tone B (Bernard Herrmann, Jay Graydon e Alan Paul)
- Trickle Trickle (Clarence Bassett)
- Birdland (Joe Zawinul, Jon Hendricks)
- The Boy From New York City (John Taylor e George Davis)
- On The Boulevard (Richard Page)
- This Independence (John Capek e Marc Jordan)
- Spice of Life (Rod Temperton e Derek Bramble)
- Ray's Rockhouse (Ray Charles e Jon Hendricks)
- That's Killer Joe (Jon Hendricks e Benny Golson)
- Soul Food to Go (Djavan)
O disco pode ser encontrado nos bons sites do ramo. Não encontrei no YouTube o disco completo, mas há um endereço com 23 gravações do Manhattan, com várias das músicas do disco: https://www.youtube.com/watch?v=vr2X-wO3_3M&list=PLcvZ5KmI-bv5H7hOsWJmcWs_jaTIWcYcc .
*A pesquisa para este artigo foi auxiliada pela IA do ChatGPT.


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