Por Ronaldo Faria
A noite, essa amiga
desnaturada dos casais e dos apaixonados, segue seu rumo insolente no tempo que
corre e escapa dos relógios em segundos mil. Inverossímil e insana àqueles que
têm a esperança de um grande amor, brinca de estrelas no céu com a lua
crescente e crente a se fazer cheia. Parceira da madrugada, essa coisa tragada
em cada lábio desnaturado que se junta a outro calado, ela vai a brincar de
fazer realidade os olhos que se juntam num relance qualquer. Grita no silêncio de
depois, em que dois corpos se misturam e se doam e se dão, e faz de conta que
nada aconteceu. Afinal, ela, a noite, no seu negror que se destaca nos neons e
faróis, brinca de fazer os loucos e bêbados transitarem dementes entre o
passado e o presente, num futuro desmesurado. Diz, taciturna, que nem toda
paixão será bem-vinda. Mas, também, mostra que a dor do amor pode ser amenizada
pela risada fortuita dos lábios da amada. Assim, na ilógica lógica que a loucura
dá, se abre a todos que esperam numa esquina cruzar com o destino que a vida
traz. E se apraz pelos toques tocados, as carícias nos cabelos soltos e,
outrora, versos mal escritos e ditos. Assim, na nostalgia da poesia, pede que a
tristeza voe para longe, o amor se eternize e as notas, versos e rimas de uma canção
sejam em si todo o fim...

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