Por Ronaldo Faria
Num passear a praguejar saudade
e mãos apaixonadas que se entrelaçam como laço de escoteiro que não se
desamarra, José e Maria, olhos marejados, caminham pela beira da praia a se
descobrirem em enlevo e quase torpor. O por do sol que se prepara para dormir
numa viela qualquer do morro que recheia a cena, se faz complemento do todo. No
toldo que serve de abrigo para escapar do calor, uns tantos e outros poucos proseiam
feito fosse espera para a madrugada brotar. No olhar do casal, a casualidade do
destino.
No céu a lua brinca de fugir das nuvens, alhures sejam elas suas amantes primeiras e brejeiras. Ao derredor, sem dor, a vida se expõe frágil de segundos e se põe a ditar o fim como fosse essa quimera a principal ilusão. José e Maria, meros dois a mais como fossem melros e nadar num oceano de prazeres, se dão às crenças de que saudade não é somente separação. Afinal, a lembrança, ancha de paixão, é a certeza primeira de que há luz na escuridão a brilhar.
Na cabeça do criador, a busca de como criar mais outro algo que exista depois de milhares de criações. Em ações e notas em diapasões, o fortuito esperar que de gole em gole algo surja na mente como num fole de acordeão. Na janela o último incenso queima e foge da Índia para chegar ao quadrado milimétrico chamado Brasil. José e Maria, entretanto, no tanto que o porém pode ser, seguem a caminhar nas pedras portuguesas que se revestem da areia que brota na brisa do mar.
E se amam, se beijam, juntam os corpos, rejuntam saudades, trocam salivas e desejos, ensejos mil. Sabem que estão separados, mas tecem em cada metro de afastamento o tormento que a tormenta dos dias espera derrear. Juntos e misturados à noite que se entrega na trégua do tempo, caminham com passo presto a se embriagarem de amor. À beira do calçadão, um ambulante vende maçãs embrulhadas de açúcar colorido. E promete que, se ela for comida junto pelo casal, não haverá reza ou praga que permita separação. Envergonhado pela lábia estrábica do vendedor, o tempo prefere parar. No quadro derradeiro e primeiro, o homem e a mulher se fazem um só. E assim, sem dó, a vida lhes dá a certeza de que a orgia da felicidade nunca terá fim.
No céu a lua brinca de fugir das nuvens, alhures sejam elas suas amantes primeiras e brejeiras. Ao derredor, sem dor, a vida se expõe frágil de segundos e se põe a ditar o fim como fosse essa quimera a principal ilusão. José e Maria, meros dois a mais como fossem melros e nadar num oceano de prazeres, se dão às crenças de que saudade não é somente separação. Afinal, a lembrança, ancha de paixão, é a certeza primeira de que há luz na escuridão a brilhar.
Na cabeça do criador, a busca de como criar mais outro algo que exista depois de milhares de criações. Em ações e notas em diapasões, o fortuito esperar que de gole em gole algo surja na mente como num fole de acordeão. Na janela o último incenso queima e foge da Índia para chegar ao quadrado milimétrico chamado Brasil. José e Maria, entretanto, no tanto que o porém pode ser, seguem a caminhar nas pedras portuguesas que se revestem da areia que brota na brisa do mar.
E se amam, se beijam, juntam os corpos, rejuntam saudades, trocam salivas e desejos, ensejos mil. Sabem que estão separados, mas tecem em cada metro de afastamento o tormento que a tormenta dos dias espera derrear. Juntos e misturados à noite que se entrega na trégua do tempo, caminham com passo presto a se embriagarem de amor. À beira do calçadão, um ambulante vende maçãs embrulhadas de açúcar colorido. E promete que, se ela for comida junto pelo casal, não haverá reza ou praga que permita separação. Envergonhado pela lábia estrábica do vendedor, o tempo prefere parar. No quadro derradeiro e primeiro, o homem e a mulher se fazem um só. E assim, sem dó, a vida lhes dá a certeza de que a orgia da felicidade nunca terá fim.
