Por Ronaldo Faria
A penumbra soa, sua e sai que
nem rumba nos ouvidos dos amantes arfantes e terminais. José, na presunção de
que não existe unção entre a verdade e a ficção, sabe apenas que milagres
sempre acontecem. E se enaltecem de verborrágicas e fálicas saudades que fazem
a maldade virar devaneios mil. No céu ainda resiste um azul que tenta ser anil. Na praia, a
se espraiar aos olhos dos homens sedentos de ventos que tragam o cheiro da amada
para algo valer, o mundo se vai num vaivém sem chegança ou limiar. Na
solidão da saudade existe o eterno regressar. E há olhares de lágrimas,
sorrisos fátuos e entregues, corpos colados e desnudos em ofegantes e arfantes
incertezas carentes de juntar.
A semântica quântica que semeia
fórmulas e rótulos envoltos em desbragados desejos e ensejos se despeja em
marés e ondas que nenhum mar saberá sequer decifrar. E assim, entre descalabros
e fados entrecortados de notas de tango, o canto se sobressai na noite que
chega. Na lambança de ficar ébrio ou sóbrio, um pouco de lucidez e outro de sódio.
Tudo sem ódio. Na ausência da essência que se vislumbra no ritmo de rumba, um pouco
de amor e outro tanto de macumba. No universo do verso repartido e partido ao
solilóquio louco de abrir a janela ou o gás, a efeméride da carta nunca escrita
ou descrita tempos atrás. Aflita, a saudade pede apenas para sentar no banco dos idosos por se
achar caduca para tanta IA.
