segunda-feira, 29 de junho de 2026

Na esquina da penumbra

 Por Ronaldo Faria


 

A penumbra soa, sua e sai que nem rumba nos ouvidos dos amantes arfantes e terminais. José, na presunção de que não existe unção entre a verdade e a ficção, sabe apenas que milagres sempre acontecem. E se enaltecem de verborrágicas e fálicas saudades que fazem a maldade virar devaneios mil. No céu ainda resiste um azul que tenta ser anil. Na praia, a se espraiar aos olhos dos homens sedentos de ventos que tragam o cheiro da amada para algo valer, o mundo se vai num vaivém sem chegança ou limiar. Na solidão da saudade existe o eterno regressar. E há olhares de lágrimas, sorrisos fátuos e entregues, corpos colados e desnudos em ofegantes e arfantes incertezas carentes de juntar.

A semântica quântica que semeia fórmulas e rótulos envoltos em desbragados desejos e ensejos se despeja em marés e ondas que nenhum mar saberá sequer decifrar. E assim, entre descalabros e fados entrecortados de notas de tango, o canto se sobressai na noite que chega. Na lambança de ficar ébrio ou sóbrio, um pouco de lucidez e outro de sódio. Tudo sem ódio. Na ausência da essência que se vislumbra no ritmo de rumba, um pouco de amor e outro tanto de macumba. No universo do verso repartido e partido ao solilóquio louco de abrir a janela ou o gás, a efeméride da carta nunca escrita ou descrita  tempos atrás. Aflita, a saudade pede apenas para sentar no banco dos idosos por se achar caduca para tanta IA.

Na esquina da penumbra

 Por Ronaldo Faria   A penumbra soa, sua e sai que nem rumba nos ouvidos dos amantes arfantes e terminais. José, na presunção de que não e...