Por Ronaldo Faria
No descalabro de um cadafalso falso como diamantes que o amante falsário deu à sua deslumbrada e desejada amada, o mundo se faz obtuso e surdo. Talvez caquético e frágil a andar nas estradas que ainda faltam a se trilhar. Senão, um não a mais, nos tantos nãos que se assemelham a um hino elementar, sem qualquer presságio, caro Watson.
No verso sem reverso do equilátero
trépido e tépido que a vida perfaz, há um resto de formicida e outro pouco de
loucura ensandecida. No meio certo e, em meio do tudo rotundo, a vida não sabe onde saltar.
Que coração assaltar para resgatar o restante de porvir? Não sei. Na carótida
de um coração sem ação, a famélica e à cata grata contradição.
No reino sem nobres ou plebeus,
o véu que descerra num palco onde o amor e o asco se misturam em louvor. No vento
que sobremaneira faz das folhas um bailado fátuo, a certeza de que as estrelas farão
do alto o seu eterno surgir. Senão, feito o grito ungido de dor, o universo se
desfará em nobreza para gritar consigo mesmo de que ainda se está aqui.
No descrédito que o féretro se
faz na voz, a vez de girar a ilusão da unção. A andar e desandar no intermédio
desmedido de ser, um poeta abjeto se faz objeto para recriar no refazer. E
agradece àqueles que voltam a buscar nas palavras a lavra final. Assim, autoimune
a si mesmo, a esmo, redescobre que gira, volta e gira outra vez na urgência de
ser.
