Por Ronaldo Faria
Uma gota de sal na
espuma
Quiçá, há somente
bruma
Senão, basta o barulho
Feito arrulho de
pombo lunar
Uma cor que
branqueia
E traz na sua
sombra a sereia
Num cantar fútil feito
ladrão
A rasgar o inútil coração
Na noite imberbe,
a sede vã
Que se torna
início e fim
Na finitude a
permear a dor
E sangrar em ilusória
flor
A jogar grãos de
areia fora do mar
As ondas jazem em
ser finitude
Mas logo voltam ao
oceano a jorrar
E renascem em
próprio louvor
Gritos de Iemanjá,
deusa do mar,
Borbulham poesia e
sina etérea
Vagueiam em lumiar
e chegar
Nas marés e porto
a derrear
Senão, sensação ao
fim da noite,
Açoite crepuscular
do poeta,
Apenas um mar,
grande e secular
Como fosse gota de
saudade e dor
(Com Tom, eterno maestro e conhecedor das marés, Jobim)
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