quarta-feira, 15 de julho de 2026

Poeminha para o mar

 Por Ronaldo Faria


Uma gota de sal na espuma
Quiçá, há somente bruma
Senão, basta o barulho
Feito arrulho de pombo lunar
 
Uma cor que branqueia
E traz na sua sombra a sereia
Num cantar fútil feito ladrão
A rasgar o inútil coração
 
Na noite imberbe, a sede vã
Que se torna início e fim
Na finitude a permear a dor
E sangrar em ilusória flor
 
A jogar grãos de areia fora do mar
As ondas jazem em ser finitude
Mas logo voltam ao oceano a jorrar
E renascem em próprio louvor
 
Gritos de Iemanjá, deusa do mar,
Borbulham poesia e sina etérea
Vagueiam em lumiar e chegar
Nas marés e porto a derrear
 
Senão, sensação ao fim da noite,
Açoite crepuscular do poeta,
Apenas um mar, grande e secular
Como fosse gota de saudade e dor
 
(Com Tom, eterno maestro e conhecedor das marés, Jobim)

Poeminha para o mar

 Por Ronaldo Faria Uma gota de sal na espuma Quiçá, há somente bruma Senão, basta o barulho Feito arrulho de pombo lunar   Uma cor que bra...