domingo, 19 de julho de 2026

Cannonball de novo. Agora bossa nova

 Por Edmilson Siqueira


Imagine um sexteto formado por Sergio Mendes ao piano, Durval Ferreira no violão, Octavio Bailly Jr. no baixo, Dom Um Romano na bateria, Pedro Paulo no trompete e Paulo Moura no Sax alto. 
Agora imagine um dos grandes saxofonistas do jazz dos EUA se juntando a esse time para gravar um disco só de músicas brasileiras, mais precisamente da bossa nova.  
Pois pode parar de imaginar que esse disco existe e se chama: "Cannonball Adderley and the Bossa Nova Rio Sexteto. 
O leitor mais atendo deve estar perguntando: "Dois artigos seguidos sobre Cannonball?" Pois é. O artigo da semana passada era do saxofonista e sua união com Mlies Davis, jazz puro na veia. 
Mas, ao acessar aquele CD na gaveta do armário, esse outro estava, obviamente, junto, já que tento manter a ordem alfabética na minha humilde coleção. E como estava pensando em escrever sobre algum artista brasileiro, acabei juntando tudo: um grande artista norte-americano e nada menos que seis grandes artistas brasileiros.  
O crítico de jazz Orrin Keepnews, escreve logo na abertura de seu texto no encarte do disco: "Este álbum, que combina, de forma única, os talentos de uma grande estrela com os talentos de um excelente grupo de jovens brasileiros, não é apenas mais uma apresentação fascinante dessa irresistível música latina conhecida como bossa nova, é também alguma coisa verdadeiramente inédita". 
O termo "jovens brasileiros" não foi alguma generosidade do crítico: o disco foi gravado em 1962, ou seja, há 64 anos, quando a maioria dessa turma era quase imberbe. Sérgio Mendes, por exemplo, que morreu em 2024, tinha, 22 anos. Um dos mais velhos, Paulo Moura, estava com 30. O próprio Cannonball estava com 34.  
O disco foi gravado em Nova York, entre os dias 7 e 10 de dezembro, no Plaza Sound. 
Informa Orrin Keepnews novamente: "O Bossa Rio veio para Nova York apenas para uma única apresentação, mas seu entusiasmo por sua música, fez com que Cannonball conseguisse uma audiência privada com eles. E ele foi imediatamente tomado pela ideia de gravar com eles, uma sugestão que a que todos aderiram rapidamente."  
Essa única apresentação era aquela famosa do Carneggie Hall que aconteceu em novembro de 1962. 
Em 1985, Orrin Keepnews voltou a escrever sobre o disco: "Ao ouvi-lo novamente depois de tantos anos, ainda o considero incomum — e valioso. O álbum traz ritmos de uma autenticidade rara e melodias maravilhosas, incluindo duas das melhores composições de Antônio Carlos Jobim e outras quatro criadas em parceria por Maurício Einhorn e o violonista da banda, Durval Ferreira. Conta também com Cannonball em apresentações que estão, provavelmente, entre as mais líricas e profundamente românticas de sua carreira, lembrando de forma marcante que suas raízes musicais pessoais remontam a nomes como Benny Carter e Johnny Hodges, indo além de Charlie Parker. É um disco alegre e exuberante, e é muito bom tê-lo de volta. 
Acho que não precisa dizer mais nada, né? 

As faixas são as seguintes: 
- Clouds (Durval Ferreira e Maurício Einhorn) 
- Minha Saudade (João Donato) 
- Corcovado (Tom Jobim) 
- Batida Diferente (Durval Ferreira e Maurício Einhorn) 
- Joyce's Samba (Durval Ferreira e Maurício Einhorn) 
- Groovy Samba (Sérgio Mendes) 
- O Amor em Paz (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) 
- Sambops (Durval Ferreira e Maurício Einhorn) 
- Corcovado (Tom Jobim) 
- Clouds (single version) (Durval Ferreira e Maurício Einhorn) 

O CD pode ser encontrado nos bons sites do ramo e pode ser ouvido na íntegra em https://www.youtube.com/watch?v=U_Zoa1YtPQQ&list=PLt_v2u0_WaG4Du1guYTSfhS0bEfWaQ9FC.

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