Por Ronaldo Faria
Queria agora só poder sentar e
escrever sem dor. Escrever pouco. Quase um texto tosco. Talvez uma só palavra:
flor.
Somente escolher as sílabas pela sua
sonoridade ou sororidade, propor personagens, levitar e ler depois. Ser... se
entreter.
Queria saber como curar a coluna
doente, reverter uma calúnia rente, sorrir à vontade de calar e dizer.
Escolher.
Apenas poder respirar e fazer, ver e
responder, sentenciar a verdade de viver nos poucos dias ainda que virão a
tecer sons e sílabas.
Queria inaugurar o novo computador,
vencer a vil dor, descobrir que o calendário do tempo pode ser mais do que
etéreo torpor no premente calor.
Por fim, deitado a dedilhar numa tela
que dá forma às células e o sonhar, acordar com o sol a partir em mais uma
jornada de se apaixonar e saber que para tudo há fim, hora, lugar ou chegar.
(Texto em decúbito dorsal e no brilho de um celular)
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