Por Edmilson Siqueira
O Brasil que gosta de boa música está comemorando os 80 anos de João Bosco. Com uma das carreiras mais brilhantes na tal de MPB, comparável à dos grandes mestres, João Bosco continua na ativa e não só gravou disco novo, como está fazendo shows por aí num festão de aniversário sem fim.
Como sou da velha guarda, posso dizer que acompanho João Bosco desde seu início. Tenho até o CD, antes gravado em LP, de 1973, denominado simplesmente João Bosco, com 11 músicas, das quais apenas "Bala com Bala" ficou famosa, gravada depois por Elis Regina. Todas as 11 faixas, aliás, trazem a companhia de Aldir Blanc, sendo duas delas também com parceiros como Claudio Tolomei e Paulo Emílio.
Além disso, eu tinha também o Disco de Bolso, ideia de Sérgio Ricardo que o Pasquim adotou e lançou, nas bancas de jornais, um compacto simples, com um belo encarte. De um lado, "Agnus Sei", de João e Aldir. Do outro, nada menos que "Águas de Março", de Tom Jobim com o próprio. Ambas eram inéditas e o disco vendeu muito. A ideia do Disco de Bolso era lançar sempre um compacto simples (pra quem não sabe, era um disco pequeno de vinil com uma música de cada lado) com um artista consagrado de um lado e um iniciante no outro. Teve mais um lançamento, mas acho que parou por aí.
Os três primeiros LPs de João Bosco e Aldir Blanc fazem, hoje, parte da história da MPB. Clássicos como "Kid Cavaquinho", "As Escadas da Penha", "Dois pra Lá, Dois pra Cá", "Rancho da Goiabada", O Ronco da Cuíca", "Mestre-sala dos Mares", "Incompatibilidade de Gênios", "O Bêbado e a Equilibrista" e vários outros, estão nessa primeira fase da dupla.
Estive com João Bosco uma vez, não vou me lembrar o ano, mas acho que estava desempregado e fazia uma visita ao amigo Wagner Geribello na Assessoria de Imprensa da Secretaria de Cultura de Campinas. Pois ele me pediu que fizesse parte dos entrevistadores de João Bosco, que tinha show naquela noite. O motivo era só pra fazer número, pois Wagner temia que viesse pouca gente. Naquela época a imprensa de Campinas se reduzia a dois jornais impressos e à TV Campinas, que não viria à entrevista. Fui com o maior prazer e, realmente, só havia mais duas pessoas para entrevistar o já enorme artista.
Percebendo que as duas repórteres nada sabiam de João Bosco, fiz algumas perguntas. Ele falou de Aldir (com quem tinha tido algum entrevero, mas nada de grave, os dois foram amigos por toda a vida), mas falou, depois de uma pergunta minha, sobre Elis Regina, que já havia morrido à época. Ele ficou emocionado e disse que quando Elis pegava uma música deles para gravar, eles ficavam esperando o disco sair, compravam e iam correndo ouvir em casa. Queriam saber o que Elis tinha feito com a música. E geralmente choravam feito crianças ouvindo a nossa maior intérprete.
Hoje eu não tenho mais toca-discos e todos os meus discos de vinil estão com a minha filha, que é DJ nas horas vagas e os trata muito bem. Mas tenho quase tudo de João Bosco, em CDs e e em MP3. E um CD chamado "Mil e Um Aldeias", cujas 13 faixas têm letras do filho de João, Francisco Bosco
E vou continuar curtindo esse gigante da nossa música, pois comprei mais um CD dele com o filho, que deve chegar por esses dias.
Artistas como João Bosco não aparecem todos os dias, nem todos os anos, talvez nem em décadas. Portanto, seus 80 anos, gravando e fazendo shows é um presente enorme para o fã da boa música brasileira. Vamos aproveitar e aplaudir esse gênio!
E vou continuar curtindo esse gigante da nossa música, pois comprei mais um CD dele com o filho, que deve chegar por esses dias.
Artistas como João Bosco não aparecem todos os dias, nem todos os anos, talvez nem em décadas. Portanto, seus 80 anos, gravando e fazendo shows é um presente enorme para o fã da boa música brasileira. Vamos aproveitar e aplaudir esse gênio!

