Por Ronaldo Faria
Amanhã ou depois de amanhã?
Saberemos lá. Saber-se-á. Nunca um dia será como o outro em suas descobertas,
tédios, olhares, sabores, sentenças, clamores, saudades, açoites, restos de
dias passados, tempos terminados ou consagrados, respostas nunca respondidas, afagos
ou tragos. Afinal, nada foi como antes. Nem beijos tresloucados em bares de
lagoas, matas ou ruas de subúrbio no estapafúrdio declinar de seu primeiro
amor...
Amanhã ou depois de amanhã?
Qual tarô ou jogo de cartas poderia prever? Na imprevisibilidade que sequer a
bondade ou a maldade dos tempos pode determinar, não existiu destino
antecipado. Páginas do calendário se tornaram erário nunca visto, decisões se volatizaram.
O único amigo morreu logo depois de desfilar. Nem fotos há. O Interior se
rendeu ao mar. Mas o poeta seguiu quem dizia para não ficar de costas ao
Brasil...
Amanhã ou depois de amanhã? Ambos existirão no próximo segundo? Alternativos da brincadeira que a eira e a beira da faca do tempo nos deixa a caminhar no limiar do corte, são indivisíveis e indissolúveis. Não cabe a nós defini-los. Nunca houve e nem haverá sequer com IA. Afinal, para onde íamos um segundo atrás? Tivéssemos mudado gesto, sílaba ou toque, seríamos iguais? Na roda-viva que a vida traz, algo ao destino ainda apraz.
