segunda-feira, 18 de julho de 2022

Banda de Pau e Corda

 Por Ronaldo Faria

Terra terral, derradeira estrada matinal e marginal. Talvez um tempo, uma têmpora, um final. Pouco ou nada a se desgarrar do lugar. Um derrear de galope e trotar. Seara esquecida entre pesadelos e desmazelos do passado. Na incerta canção, a unção de um cantar que se desdobra entre as vozes caladas e as urdidas paixões de um nunca poder chegar.

-- Vai boiadeiro, corre sobre o cavalo o tempo que termina sem intervalo. Segue entre cinzas de um quente cansaço forte e torpe. Do queimado do mato far-se-á o verde do regaço onde o corpo nu da mulher se entregará ao amado.

Terra letal, inimaginável mãe de tanto lugar. Quem sabe um alpendre além do sertão, uma cantoria largada entre um abraço desbragado e um senão. A inércia que vem depois do amar, feito ilha que vive em desassossego além-mar. Nas ondas de um canavial a brigar com o vento, a canseira de guardar a derradeira e primeira saudade que nunca se dá.

-- Vai andarilho em cima de um tordilho que corre na poeira o trágico lamento da anunciação que não se fará. No colo da amada, arfada de tanto querer e criar, a infindável canção. Acordes que se dão ao acordar desmesurado do dia.

Terra do amante, vendilhão de corações e unções. Na caminhada que para diante do nada, o alforje se enche de poesias e promessas. Agruras e bromélias verdejam os cantos da estrada. Há cheiro de mata virgem e virgem desvirginada. Logo além dos olhos, um céu de azul calcinado. A cobrir os pés, um chinelo cheio de pó e de muitos calos.

-- Vai poeta na seca que se atira para longe do rio que brota brancura da areia e do calor. Vai calar teus versos profanos e mundanos no mundo de meu deus. Lá do alto, altaneiro e servil, teu demônio sucumbirá em fogo no frio do tempo senil.

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