sábado, 12 de novembro de 2022

Um encontro único e memorável

Por Edmilson Siqueira  

O disco se chama "Jazz at Massey Hall", foi gravado em 15 de maio de 1953 e é interpretado pelo "The Quintet". O clube de jazz era em Toronto, no Canadá e o tal do quinteto era composto por ninguém menos que Dizzy Gillespie, Charlie Parker (chamado de Charlie Chan, no disco), Bud Powell, Charles Mingus e Max Roach. Eram simplesmente os cinco músicos considerados "modernos" à época. Todos, claro, se transformaram em pouco tempo em gigantes do jazz e, a pelo menos a três deles, costuma-se juntar o adjetivo "gênio": Gillespie, Mingus e Parker.  


O CD que tenho, lançado no Brasil é reprodução fiel do LP, inclusive o texto, em tipos impossíveis de ler sem uma lente de aumento à mão, assinado por Bill Coss. Ele informa que naquelas noites em Toronto, houve performances fantásticas e que, por sorte, havia um gravador para registrar tudo. E foi sorte mesmo. Informa a Wikipedia que aquela foi a única vez em que esses cindo músicos tocaram juntos. E foi também a última gravação onde Charlie Parker e Dizzie Gillespie se encontraram. Como se vê, é tudo histórico e, "por sorte" havia um gravador por lá.  


O show todo foi gravado ao vivo e a qualidade da gravação chega a surpreender, pois estamos em 1953. São apenas seis músicas, mas a menor delas tem 6 minutos e 34 segundos.  


A abertura do disco se dá com "Perdido", de Juan Tizol, e esse é apenas um dos clássicos de jazz que o quinteto perpetrou. Por várias vezes, diante de solos inspirados, a plateia se manifesta, tanto com aplausos como com gritos, dando a impressão de que muitos estavam dançando. Pena que não havia uma câmera também... 


"Salt Peanuts", de Dizzy Gillespie e Kenny Clarke, se estende por 7 minutos e 20 segundos, com direito a apresentação de um dos músicos que revela que a música foi feita em 1942. É outro clássico que necessita de muita agilidade nos teclados de um sax para ser tocada.  


A terceira faixa é também clássica: "All the Things You Are" de Jerome Kern, que desliza suave pelo trompete de Gillespie, se contrapondo ao ritmo frenético da música anterior.  


"Wee", de Denzil Best, é a quarta faixa, que começa com um "duelo" sensacional entre Dizzy e Parker, mostrando porque os dois foram considerados gênios do jazz. Aliás, aqui a performance do grupo todo é do mais alto nível, arrancando inúmeros aplausos da plateia. 


A quinta música a ser apresentada é "Hot House", de Tadd Dameron, onde se pode ouvir melhor o trabalho da bateria e do piano, com bastante swing. Mas é Gillespie e Parker que fazem novamente as honras da casa para delírio da plateia.  


Outro clássico, "A Night in Tunisia", de Gillespie e Frank Paparelli, encerra a o disco, numa interpretação que não fica devendo nada a todas as outras que vieram depois.  

É um disco para quem gosta de jazz e não tem tanta exigência com a qualidade da gravação, apesar de todos os recursos que nasceram entre a apresentação em Toronto e o surgimento do CD como mídia musical. 


O disco - CD e LP - ainda estão à venda nos bons sites do ramo e o CD pode ser ouvido inteiro em https://www.youtube.com/watch?v=qESZJKpYZ5A&list=OLAK5uy_nRcwV4icxcpB9iqD2oKhIOd7Zpx5o2Y-8 . 

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