segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Fevereiro ao som de Pink Floyd e Crosby, Stills, Nash e Young

 Por Ronaldo Faria

Fevereiro, feverei-se. Chegue devagar, no sapatinho. Sei que passará logo, por ser curto, como a vida de cada um. Mas respeite os limites do tempo fugidio, as têmporas que nunca mais encontrarão os temperos pródigos de cada história que está nas estórias do dia a dia. Os olhos que não repartirão sorrisos e lágrimas nas íris que se embrenharam em lençóis e sóis. Adie a frieza da realidade insana e nos jogue de joguetes no universo do verso nunca escrito. Saiba, de forma sábia, se desvencilhar de desejos que dobram esquinas e se esgueiram em versos sem rimas. Esqueça os dentes que não mais existem, a hesitações das horas programadas, as madrugadas naufragadas e fadadas a se afogarem de saudades sobreviventes ausentes e tardias. Como dois corpos vadios e vazios a correrem entre o escuro que se esconde dos postes e os posts que se enxergam num nada para sempre. Subserviente ao calendário se faça somente fevereiro derradeiro e brejeiro. Aquele que limita em cada segundo o mais profundo perfume dos odores das dores da existência e seja premência na insurgência que doura de pílulas a mais nobre e pobre vigência. Vivencie seus poucos dias em notas dissonantes e orgias. Simplifique e ressignifique incensos vencidos desde setembro de 2017 e que impregnam a noite e os pulmões à espera que não exalem somente uma semente de cheiros que morreram às dezenas e esqueceram de tardar...

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