segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Chistes no xote em Visconde de Mauá

Por Ronaldo Faria



Prepare-se para o amanhã! Ele virá! Acredite que sim! Com suas dicotomias, seus opostos, postes prestos a abocanhar o próximo carro ou aquele que está fora de si. Depois, tresloucado, dar-se-á ao nada, fará numa farsa única e solitária a sua cena de cortina fechada. Irá cerrar o mundo detrás da coxia e não receberá aplausos mil sequer. A plateia está vazia. Mas, logo a passos dali, a alcateia urra por ser a verdade de algo qualquer.
Na viagem sem fim, mesmo sabendo que a chegada está logo ali, vamos à trilha de terra e poeira, cercada de covas de anjinhos do céu, a cercanear o que a sacanagem não deixa chegar. Na vida, essa coisa a que se dá, saber-se-á, vamos a cruzar os próprios passos num acordar, ser e dormir sem lógicas ou afins. Do alto do que a poesia mais altaneira pode vociferar ou sussurrar, o poeta profetiza de forma incisiva que há que parar.
 
II
 
Na estrada, dessas que são tão estradeiras que a gente nem vê, vão o homem, o jumento, a saudade e o bem-querer. Entre eles não há distinção. São todos um só. Visse um poeta a tal cena, diria que serão todos um único solilóquio. Senão, um desesperado e destemperado poço de prazeres que nunca se fizeram em camas molhadas de lágrimas, suores e beijos traçados e trançados de línguas e cópulas doidivanas e insanas.
Na cama, esse efêmero espaço de traços e trajetos que não sabemos dizer onde irão chegar, os corpos copulam entre copos e sinergias paralelas. E vêm e vão. No meio de tudo, a canção. A certeza de que a insensatez ouvirá a voz da incerteza do senão. E assim, no prazer confuso do dia a dia, as horas emergem do chão. Decerto, no momento que o vento traz a brisa noturna, a fuga da voz que inexiste como vivesse no porão.

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