quinta-feira, 25 de julho de 2024

Bebida pro santo e João Bosco

 Por Ronaldo Faria

 

-- Pai Bastião, eu acho que o homem está bebendo bem.  Não deu uma semana e já foi quase tudo.
-- É que a coisa deve estar feia, meu zifio. Pra limpar tudo que veio, vem e virá só com muita oferenda...
-- Tudo bem, não me nego. Nunca me neguei. Mas nos últimos tempos a coisa evapora rápido demais.
-- Talvez porque seja para impedir que os últimos tempos virem o último tempo, o derradeiro suspiro, o fim de tudo.
José aceitou a explicação e agradeceu a resposta. Com certeza, na presteza da realidade tardia e vadia, Pai Bastião, filho de Oxóssi com Iemanjá, está certo. Decerto, mesmo que o calor extremo possa ter ajudado, outra explicação mais lúcida terá razão. Assim, o que antes era até 15 ou 20 dias virou menos de uma semana. Na artimanha da manhã ainda por vir, a esperança de um novo porvir. E a espera do samba geral.
Constrito, nunca consternado, José se ajoelha diante do congá e agradece em prece todos os orixás, relembra a índia que amou primeiro na vida e lembra do batismo, da confirmação e dos santos que desciam para trazer Ogum e Preto Velho ao lugar. Assim, no enfim que os anos trazem em décadas vividas, novas esperanças tragam heranças para que o copo possa se encher de novos ares quando secar. Salve o novo, Oxalá!

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