segunda-feira, 15 de julho de 2024

Madrugada na tarde com Leny Andrade e Cesar Camargo Mariano

 Por Ronaldo Faria


 

A madrugada chegou mais cedo, sem métrica ou medos, em plena tarde quente, na quentura que deixa a gente demente e, quiçá, ausente. Que nos joga nas hélices de um ventilador que faz voar a dor que transita no quadrilátero do fim. Mas parece madrugada, dessas que padece de tempo para amanhecer e traz picardia, neons não vistos pela clarividência e a claridade, ausência de corpos a se delinearem.
A madrugada, tragada de blasfêmias e pecados, tratados e translúcidos recados, vocifera que logo chegará a aconchegar corpos, deitar em camas profanas e viajar num tempo que não é o seu, e muito menos de Orfeu. Quem, em sã consciência, dormirá às cinco da tarde? Logo agora em que transitam tantos pleonasmos, tantos sentimentos, tantas coisas que a gente não sabe de onde vem. Certamente, na mente abstrata que nada trata, o negror é a síntese da poesia e da dor, do amor.
A madrugada deixa a poesia mais volátil, tátil, com cheiro de fim e cor de algo a mais, mesmo que o mais seja assim, eu em mim. Afinal, no final tardio e urdido de lamúrias e alguém de Astúrias, vale a primazia que a aspirina de amanhã trará. Para os tantos acalantos e lamentos, astrofísicos e atrofiados desejos, o que vale é o ensejo que pode vir de si mesmo ou do primata Redentor. Agora, com a azia antecipada, constipada talvez, espero somente a minha vez de ser feliz.

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