Por Ronaldo Faria
Silêncio grita nos ouvidos que
sopram ao vento da noite sem sol. E tudo parece prece dita feito reza num altar
difícil de saltar. No ar em volta, vozes de casais se volatilizam ao som quieto
e surdo, presto. De resto, o que tiver de restar. Na casualidade da saudade, a
separação. Tudo como talvez um se fosse antes ou chegasse depois. Mordaça
carcomida pela traça que a comia. Uma despedida escura na esquina da desmedida
realidade. Só um beijo rápido, um olhar distante do semblante, um fim a se
derrear.
José, largado entre mesas e potes de cerejas e caixas de cerveja, cercado de ninfas e suas brotoejas, é somente mera sombra da madrugada de lua nova sem luar. Sem lábios para beijar e olhos para focar, mãos para tocar e corpo para se entocar nas noites frias e sós, é agora a diáspora de si mesmo. Na sala cercada de móveis coloniais e cores de breu, sabe que o próximo destino é desatino e caminho sem tino. Apenas cenas passadas e cansadas de colorir as telas rasgadas do cinema do acaso em descaso.
Ao longe, na memória esquecida e tardia do dia findo, um menino solta a pipa a picotar outras que voam só por voar. E há mulheres com suas saias a saracotear no footing de orgias e sangrias nos corações dos rapazes que fazem as pazes com o amor. Como fundo de pano para o teatro e retreta, um fole joga e lança notas no ar. A cercar a história e preparar seu fim sem pesar, o pensar de José entorpece de a tudo brindar. E a cada gota que cai das bocas a marcar o crime da fantasia final, se embriaga de solidão.
José, largado entre mesas e potes de cerejas e caixas de cerveja, cercado de ninfas e suas brotoejas, é somente mera sombra da madrugada de lua nova sem luar. Sem lábios para beijar e olhos para focar, mãos para tocar e corpo para se entocar nas noites frias e sós, é agora a diáspora de si mesmo. Na sala cercada de móveis coloniais e cores de breu, sabe que o próximo destino é desatino e caminho sem tino. Apenas cenas passadas e cansadas de colorir as telas rasgadas do cinema do acaso em descaso.
Ao longe, na memória esquecida e tardia do dia findo, um menino solta a pipa a picotar outras que voam só por voar. E há mulheres com suas saias a saracotear no footing de orgias e sangrias nos corações dos rapazes que fazem as pazes com o amor. Como fundo de pano para o teatro e retreta, um fole joga e lança notas no ar. A cercar a história e preparar seu fim sem pesar, o pensar de José entorpece de a tudo brindar. E a cada gota que cai das bocas a marcar o crime da fantasia final, se embriaga de solidão.
(Com Pedro Luís a cantar Luiz Melodia)
Nenhum comentário:
Postar um comentário