sábado, 21 de maio de 2022

Ao Paulo Vanzolini

 Por Ronaldo Faria


Ouvindo Ronda, pós algo depois da primeira edição, vem a parcimônia da chegada insensata da madrugada próxima, aquela que maldiz o tempo perdido num lugar fechado sob a fachada de uma empresa presa na pressa da rotina ínfima e final. E chegam as notícias trôpegas do estar em férias vivo no antes da morte. O desejo benfazejo de deixar tudo e tramitar entre transes e trovas venais. Ao ouvir a Valsa das Três da Manhã, na voz de Paulinho Nogueira, verter letras e palavras sobre um teclado múltiplo e braçal. Coisas de malabarismos de sons e sonhos, brilhos e cores que nem mesmo mesas cheias de brioches conseguem retratar. E medir a glicemia tardia, na trova fatal de brandir um descaso ao acaso em torpor.

Queria tê-la, Maria de um lugar qualquer. Seios enjaulados em sutiãs imantados de dedos e desvelos, desbragados pela voz de um trovador qualquer, criados à pincelada de um poeta que escreve mágicas palavras transversas para somente dizer que não sabe como te amar.

Queria tê-la, Maria de um lugar qualquer. Boca em riso que se expõe ao limítrofe desejo de acariciar teu rosto e aninhar teus pesadelos. E viajar e brandir o férreo passado que sabe que disse na voz a frase errada. Coisa de místicas passagens vis e lineais na margem que divide a felicidade da dor.

Por fim, queria tê-la, Maria de um lugar qualquer, para descobrir novos lençóis em músicas de mi e bemóis. Coisa tangida de verves e frágeis brincadeiras de quintais e fundo de casa e pinturas de muros próprios. Tudo feito o trejeito que busca o corpo primeiro e secular, como um passado que teima em voltar.

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