sexta-feira, 28 de julho de 2023

Fora da Caixa (no Music Amazon Prime)

 


Sem eixo, como um seixo no rio que corre entre dois leitos, o homem rompe o hímen com sua língua que vocifera à vida que ainda existe algo riste que resiste à febre e a cistite. Na noite que brinca de frio e fobia, a fálica orgia solitária se desdobra nas dobras que dobram qualquer esquina como fosse esta a sua derradeira sina. Diante de si, uma vagina, uma próxima angina, uma inebriante mulher, ou apenas Gina. Na cama que se desforra para ir à forra do tempo que se entristeceu, há um limite entre o limítrofe que anda no fio da navalha entre a sanidade e idade imprópria à memória desmemoriada e lacrada para novos amores. Odores perfumam a performance que à nuance do tempo transbordam o tempo que ainda falta se viver. Tudo como uma janela fechada, a ver...

Na insípida perfídia que perfaz cada caminhada de cão sem ninhada, um ninho de pássaro sem ovos a criar passa despercebido a cada olhar. No lugar, um ar rarefeito, feito paixão não correspondida, se interpõe às mesas que trocam brindes e brincadeiras de tocar. Nelas, as mãos se embaraçam de dedos, desvelos, vestes invadidas, toques promíscuos e malversações. No lugar não há lugar para o bem e o mal. Há bons e maus a trocarem sevícias, carícias, lascivas promessas imersas em trocares de olhar. Ao longe, decerto, existirá um pedaço de mar, uma onda a areia a tragar, uma boca a língua a untar. E todos estarão, uníssonos, a gritarem que a vida só vale se for para se a amar. Nalgum lugar possivelmente um ser ausente saberá onde, perdido, ainda chegará...

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