terça-feira, 17 de outubro de 2023

No terreiro do som e rolando como fosse Boldrin

Por Ronaldo Faria



As frases. De onde surgirão as frases, como fossem sentenças embaralhadas pelos óculos errado? Ou, senão, como fossem ósculos perdidos na insana e doidivanas saga do amor.

De onde virão feito vendaval em sofreguidão? Sairão do desejo e do ensejo de que seremos donos de nós mesmos ou apenas são brinquedo feito chalana a correr no rio vazio?

E as sílabas? Sibilarão em cobras com vontade de picar a primeira sombra que vier com o luar ou irão fugir com o rabo entre as inexistentes pernas para o fundo de terra que der?

Nunca saberemos. Certamente não nós a quem foi dado o destrato de tratar rimas como fossem ruínas de um texto que se trata de saudades e maldades que a vida nos dá.

Por isso somos apenas um limiar que há de lumiar entre a luz e o negror da própria dor. Nos goles que dão a mansidão da imensidão e se tornam prolixos em inerte servidão.

E surgem parafraseados entremeados de letras mesmo que quase nulas para iletrados. E assim vamos a correr nas estradas de São João da Freguesia, sem saber se haverá sangria.

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