segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

No passado passadio com Gil

Por Ronaldo Faria


Oitava lata nas oitivas da vida. Muito? Pouco? Que métrica dar-se-ia sobremaneira? Na insurgência dramatúrgica da falência da sobrevivência ainda prescrita, à proscrita saudação da mansidão desdita.
Mas o que é o passado? Um assado de churrasqueira que queima e faz o cheiro flutuar na beira da eira? Uma ínfima memória quando os quadros embriagados do pintor Fontanini já não têm dono vivo.
No insuficiente e demente se esgueirar às sombras que a luz de led dá, o passado se sobressai altaneiro e findo. Para ele só existirão imagens e vagens que ninguém, no menu da vida, quis provar e comer.
E se tivesse sido diferente? Quais referências teríamos? Não há o que pensar. Na incerteza do porvir, o por vir nada é. Transeuntes besuntados de algo talvez, sigamos a nossa estrada de ser alguém ou rês.
O poeta diz que o céu flutua. E nós, meros aprendizes, que vivemos sempre na lua? Como saberemos ter em vida a inócua imensidão? Na loucura existente desde a nascença, nos basta a frígida oração.
Daqui, na premente saudade da Bahia, à espera de comer um bacalhau com vinho guardado, vamos nos esgueirando a esmo sem solução. Que a pouca vida, ávida de qualquer coisa, seja ao menos de serventia. 

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