sexta-feira, 26 de abril de 2024

As borboletas de Zé Ramalho

 Por Ronaldo Faria



O derredor está escuro, sombrio, talvez. Na vez da chegada do destino, o homem/menino vê-se, em desatino, a caçar sua mesa cercada de outras tantas igualmente sombrias e escuras. De vez ou em quando um ou outro farol ofusca a negritude geral. O farol (semáforo para alguns) pisca em três cores. Da chapa vem a surgir e subir odores mil. A larica bateu e nem Prometeu conseguirá segurar.
Jairo, para o bêbado e lisérgico o Juarez, serve os clientes que restam a buscar felicidade ou matar a saudade que não se deu permissão de partir ou encerrar. Ele, que mora longe no longínquo lugar que seja, só espera o gerente do boteco mandar jogar água geral. Na frágil realidade de cada um, o último gole de rum. No local, quem conseguiu, conseguiu. Pra o resto, o desejo é só ensejo.
Muitos, quase todos, voltarão para casa na incerta realidade de que, quem sabe, o amanhã acordará de acordo com os signos, submissos em si mesmos. A esmo, vagarão no universo que versos não descrevem. Talvez uma lágrima, um vômito desgarrado, uma insônia em que qualquer Sônia seria o porvir. Bastardos de si mesmos, sorverão tristezas. Mas, na destreza dos solitários, se salvarão.


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