terça-feira, 20 de dezembro de 2022

A bossa nova de Diana Krall

Por Edmilson Siqueira 

O estilo de Diana Krall, mesmo antes de qualquer gravação de uma música brasileira, já apontava que, mais cedo ou mais tarde ela se renderia às grandes melodias e à sensualidade da bossa nova que, para os americanos é jazz.  


Isso aconteceu no décimo-segundo álbum de carreira da moça, talvez a melhor cantora e pianista de jazz que o Canadá já produziu.  O disco, "Quiet Nights" (o nome que a versão de "Corcovado" em inglês ganhou), foi lançado em 2009 e chegou ao primeiro lugar de vendas da Billboard no segmento "jazz". Apesar do grande feito, dos onze álbuns lançados anteriormente, seis já haviam chegado ao primeiro lugar.  


Apesar de dedicado à bossa nova - há outras músicas do repertório norte-americano cujos arranjos tentam aproximá-las da bossa nova - das doze faixas, apenas quatro têm assinatura brasileira: "The Boy From Ipanema" (Jobim e Vinicius, com letra em inglês de Norman Gimbel) que Diana canta no masculino; "Este Teu Olhar" (Jobim), que Diana canta em português, tentando se acertar no idioma; "So Nice" (dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, também com letra de Gimbel em inglês para o "Samba de Verão") e a música que dá nome ao dico, "Quiet Night" de Jobim.  

O disco é todo num clima calmo e sensual, com grande orquestra e muito bem produzido, como são todos os discos de Diana Krall. 


As outras músicas, que parecem fazer uma espécie de figuração perto dos grandes sucessos brasileiros e mundiais, não ficam devendo em qualidade.  


O disco começa com "Where or When", de Richard Rodgers e Lorenz Hart, seguida de "Too Marvellous For Words" (Richard Whiting e Johnny Mercer) e "I've Grown Accustomed To His Face" (Frderick Loewee e Alan Jay Lemer). Aí vem a Garota de Ipanema que, no caso é Garoto, seguida de um grande sucesso de Burt Bacharach e Hal Davi, "Walk On By".  


A sexta faixa nos traz "You're My Thrill" (Jay Gomey e Sidney Clare), seguida das outras três brasileiras do disco. 

A décima faixa é "Guess I'll Hang My Tears Out To Dry" (Jule Styne e Sammy Cahn). Em seguida há duas faixas bônus, sem qualquer referência no encarte, a não ser o número de registro delas. A primeira, e décima-primeira do disco, é um grande sucesso dos Bee Gees (Barry e Robin Gibb). E a última é "Every Time We Say Goodbye", do grande Cole Porter. Nas duas, o show de sempre de Diana Krall. 

Se não bastassem as ótimas interpretações das bossas novas no disco, todas as outras músicas merecem ser ouvidas pelos fãs de jazz e da cantora. 


O disco está à venda nos bons sites do ramo e você pode ouvir todas as treze músicas aqui: https://www.ouvirmusica.com.br/diana-krall/1410817/#album:quiet-nights-2009 

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