sábado, 14 de junho de 2025

Se é pra ficar doidão, foda-se o que irá chegar

 Por Ronaldo Faria


Pela enésima vez nos entregamos aos dramas e as tramas (amanhã virá a conta no cérebro descerebrado). Dramaturgos que perdemos como atores principais, vestais de tramoias e filigranas de beijos que somos, sigamos como ciganos em carroças movidas hoje a centenas de cavalos. Olhemos as olheiras dos mais velhos, aqueles que de tanto olharem o mundo já não sabem mais o que é realidade ou utopia. Na urgência da ferida nunca fechada, a chave prematura da dura chegança do colibri. E se alguma esperança nos vier ou restar, o viés da insólita certeza de nada ser ou saber far-se-á. Na cela que nos prende nesse mundo sem caravelas para partir, ao menos um raio de sol refletirá do quadrilátero bastardo que viaja entre o real e a fantasia que, diz o poeta, se separam no final. Agora, qual ágora multifacetária, nos façamos seres frágeis e frígidos, bastardos de algum amor que não se fez plenipotenciário. Nos retalhos do trabalho de receber algum poeta que partiu e ficou, como parto libertário do fulgor, nos preparemos para o day de um after que se repete há décadas. No tempo que não há de tardar.
 
(Com Renato Teixeira e Xangai a ajudarem a dedilhar)


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