Por Ronaldo Faria
A Ciranda da Miranda corre
solta no terreiro. Tem viola, sanfona e batuque do bom. Faz o povo ir e girar,
virar de lado, trocar de par. Tudo na paz. Brinca de tempo, tormento, tormenta
e libido. Afinal, no lugar, no banheiro das donzelas, tem até bidê. No dos
homens, machos ou não, tem dois mijadouros, lado a lado pra se orgulhar ou morrer
de vergonha e esquecer uma tal de bronha.
No geral, tem lugar pra praça de primeira corneta e general. Angelical, Petúnia rodopia perto da fogueira. Fagueira, Leocádia passeia de mãos dadas com um tal de Cavaleiro da Esperança. Na mesa, Gumercindo é só fome e pança. Na desandança que a vida traz e dá, Péricles está periclitante a crer que logo mais no próximo mês a humanidade verá sua extinção. “Valei-me, Santo Antão! Salve apenas o ébrio e o povo de Catifundo.”
No palco montado às pressas, o Coronel Gedeão torce para ele não cair. “Custou duzentos contos de réis”, pensa temeroso. Sem ligar para o que o seu dono teme ver, Thor, cão de raça e raiva, come um osso desossado. No luar que brilha e deixa dor na virilha de quem sonha poder logo fazer as pernas roçar, uma nuvem se larga de banda daquelas que querem fazer chover e dá de braços ao léu.
No geral, tem lugar pra praça de primeira corneta e general. Angelical, Petúnia rodopia perto da fogueira. Fagueira, Leocádia passeia de mãos dadas com um tal de Cavaleiro da Esperança. Na mesa, Gumercindo é só fome e pança. Na desandança que a vida traz e dá, Péricles está periclitante a crer que logo mais no próximo mês a humanidade verá sua extinção. “Valei-me, Santo Antão! Salve apenas o ébrio e o povo de Catifundo.”
No palco montado às pressas, o Coronel Gedeão torce para ele não cair. “Custou duzentos contos de réis”, pensa temeroso. Sem ligar para o que o seu dono teme ver, Thor, cão de raça e raiva, come um osso desossado. No luar que brilha e deixa dor na virilha de quem sonha poder logo fazer as pernas roçar, uma nuvem se larga de banda daquelas que querem fazer chover e dá de braços ao léu.
A senhora Felisberta, casada
com Gedeão de assinatura e papel, de véu e grinalda, reza o terço para que tudo termine
logo. “Essa gentalha é capaz até de no fim cuspir no chão.” Dona da bagunça e
da bagaça, pede ao serviçal Tomé que pare de servir pinga e restrinja os comes
à meia colher. “Assim, com certeza, logo um bando começa a bandear pra outro
lugar”, reflete enquanto reza seu terço final.
Na cidade perto dali, alguém chegou a dizer que o prefeito Mário da Soledade tinha comprado pro Paço Municipal o quadro de um tal de Dali. “Mas, se era pra gastar, por que não gastou com alguém daqui?” – gritava o vereador salvador da oposição. Nas árvores quietas, corujas corujavam o piar dos seus pios de madrugar. Na janela do bordel bordejavam os peitos da bela e desejada Isabel.
E assim, entre não e outrossim, horas bordejavam os relógios simplórios que alguns inglórios conseguiam ver ou comprar. No lugar era tudo largar transbordante e altaneiro. No fundo do brejo, sapos sapeavam de como fugir das porções de sal que moleques idiotas jogavam do alto a sorrir. No luzir de estrelas aos milhares em mil, o tempo acreditava que logo mais tudo por fim se faria anil.
Nas páginas a nunca escrever ou subscrever qualquer conto anterior, na fila do INSS etéreo, Gabriel assinava da imensidão aquilo que há depois da morte local no texto prosaico o tal de Matusalém. No além do mar e da validade que a maldade dá, restava apenas, entre penas e penúrias nas injúrias que a loucura traz, nomes de certidões amareladas pelo tempo e unções de gargalhar. No céu, o sol sonhava com o luar.
Na cidade perto dali, alguém chegou a dizer que o prefeito Mário da Soledade tinha comprado pro Paço Municipal o quadro de um tal de Dali. “Mas, se era pra gastar, por que não gastou com alguém daqui?” – gritava o vereador salvador da oposição. Nas árvores quietas, corujas corujavam o piar dos seus pios de madrugar. Na janela do bordel bordejavam os peitos da bela e desejada Isabel.
E assim, entre não e outrossim, horas bordejavam os relógios simplórios que alguns inglórios conseguiam ver ou comprar. No lugar era tudo largar transbordante e altaneiro. No fundo do brejo, sapos sapeavam de como fugir das porções de sal que moleques idiotas jogavam do alto a sorrir. No luzir de estrelas aos milhares em mil, o tempo acreditava que logo mais tudo por fim se faria anil.
Nas páginas a nunca escrever ou subscrever qualquer conto anterior, na fila do INSS etéreo, Gabriel assinava da imensidão aquilo que há depois da morte local no texto prosaico o tal de Matusalém. No além do mar e da validade que a maldade dá, restava apenas, entre penas e penúrias nas injúrias que a loucura traz, nomes de certidões amareladas pelo tempo e unções de gargalhar. No céu, o sol sonhava com o luar.
