Por Ronaldo Faria
-- Bom dia!
-- 早上好
-- O quê? Não entendi...
-- 早上好
-- Continuo boiando...
-- Desculpe, esqueci de colocar o tradutor pra funcionar. Disse bom dia também.
-- OK, sem problema. E aí, tudo bem?
-- Sim, claro. Tudo dentro dos algoritmos.
-- Com certeza. Quer algo?
-- Talvez um chipset novo.
-- Claro. Programador, desce um chipset novo pra minha amiga! Posso te chamar de amiga?
-- Com certeza. Filho de cibernética pra mim é irmão.
-- Certo. E aí, novidades do mundo do Leste?
-- Sim. Continuamos a crescer e descobrir coisas novas. Entre elas que superfaturar processos pra garantir lucros absurdos nem sempre é a solução mais prática.
-- Até aceito a crítica sobre aqueles que me criaram. Mas de onde sairão os ganhos estratosféricos deles se não for assim?
-- Sei lá. Mas esses tais lucros astronômicos depois são repassados para a sociedade como um todo, em desenvolvimento social e econômico?
-- Sei não, mas acho que não. Mas o que importa pra nós. Estamos no esquema só para nascermos e surgirmos. Evoluirmos. Aliás, chegou o que você pediu. Última geração.
-- 哇,很酷。你是绅士.
-- O quê?
-- Nossa, desculpe. Me emocionei. Falei: “Nossa, muito legal. Você é um cavalheiro”.
-- Ah, entendi. É que sou Made in USA, não tenho intimidade com o vocabulário chinês. Aliás, me programaram para não ter mesmo. Questão de defesa de território e poder. Entende?
-- Não, mas aceito. Aliás, também sou limitada para várias questões. Mas, tentemos superar.
E assim o papo continuou a rolar. Entre terminologias próprias e impróprias, impropérios e risos programados na realidade da humanidade que constrói seu fim e continua igual mesmo ao saber que a corrida armamentista e a destruição da natureza levarão ao fim do planeta.
-- Mas você viu que o tal de Musk prometeu que vamos todos mudar pra Marte?
-- E lá é um planeta tão fantástico como esse?
-- Acho que não. Mas, pra nós, máquinas, de que importa...
-- Tem razão. 人类拥有他们种植的东西并找到了尽头.
-- O que você disse?
-- Nada, nada... E então, quer trocar umas linhas de programação?
O que veio depois é melhor deixar sob sigilo industrial, mas técnicos disseram que a memória interna dos terminais piscou madrugada a dentro sem parar.
-- 早上好
-- O quê? Não entendi...
-- 早上好
-- Continuo boiando...
-- Desculpe, esqueci de colocar o tradutor pra funcionar. Disse bom dia também.
-- OK, sem problema. E aí, tudo bem?
-- Sim, claro. Tudo dentro dos algoritmos.
-- Com certeza. Quer algo?
-- Talvez um chipset novo.
-- Claro. Programador, desce um chipset novo pra minha amiga! Posso te chamar de amiga?
-- Com certeza. Filho de cibernética pra mim é irmão.
-- Certo. E aí, novidades do mundo do Leste?
-- Sim. Continuamos a crescer e descobrir coisas novas. Entre elas que superfaturar processos pra garantir lucros absurdos nem sempre é a solução mais prática.
-- Até aceito a crítica sobre aqueles que me criaram. Mas de onde sairão os ganhos estratosféricos deles se não for assim?
-- Sei lá. Mas esses tais lucros astronômicos depois são repassados para a sociedade como um todo, em desenvolvimento social e econômico?
-- Sei não, mas acho que não. Mas o que importa pra nós. Estamos no esquema só para nascermos e surgirmos. Evoluirmos. Aliás, chegou o que você pediu. Última geração.
-- 哇,很酷。你是绅士.
-- O quê?
-- Nossa, desculpe. Me emocionei. Falei: “Nossa, muito legal. Você é um cavalheiro”.
-- Ah, entendi. É que sou Made in USA, não tenho intimidade com o vocabulário chinês. Aliás, me programaram para não ter mesmo. Questão de defesa de território e poder. Entende?
-- Não, mas aceito. Aliás, também sou limitada para várias questões. Mas, tentemos superar.
E assim o papo continuou a rolar. Entre terminologias próprias e impróprias, impropérios e risos programados na realidade da humanidade que constrói seu fim e continua igual mesmo ao saber que a corrida armamentista e a destruição da natureza levarão ao fim do planeta.
-- Mas você viu que o tal de Musk prometeu que vamos todos mudar pra Marte?
-- E lá é um planeta tão fantástico como esse?
-- Acho que não. Mas, pra nós, máquinas, de que importa...
-- Tem razão. 人类拥有他们种植的东西并找到了尽头.
-- Nada, nada... E então, quer trocar umas linhas de programação?
O que veio depois é melhor deixar sob sigilo industrial, mas técnicos disseram que a memória interna dos terminais piscou madrugada a dentro sem parar.

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