quarta-feira, 1 de julho de 2026

Quase doidão pra tirar o atraso da dor

 Por Ronaldo Faria


No descalabro de um cadafalso falso como diamantes que o amante falsário deu à sua deslumbrada e desejada amada, o mundo se faz obtuso e surdo. Talvez caquético e frágil a andar nas estradas que ainda faltam a se trilhar. Senão, um não a mais, nos tantos nãos que se assemelham a um hino elementar, sem qualquer presságio, caro Watson.

No verso sem reverso do equilátero trépido e tépido que a vida perfaz, há um resto de formicida e outro pouco de loucura ensandecida. No meio certo e, em meio do tudo rotundo, a vida não sabe onde saltar. Que coração assaltar para resgatar o restante de porvir? Não sei. Na carótida de um coração sem ação, a famélica e à cata grata contradição.

No reino sem nobres ou plebeus, o véu que descerra num palco onde o amor e o asco se misturam em louvor. No vento que sobremaneira faz das folhas um bailado fátuo, a certeza de que as estrelas farão do alto o seu eterno surgir. Senão, feito o grito ungido de dor, o universo se desfará em nobreza para gritar consigo mesmo de que ainda se está aqui.

No descrédito que o féretro se faz na voz, a vez de girar a ilusão da unção. A andar e desandar no intermédio desmedido de ser, um poeta abjeto se faz objeto para recriar no refazer. E agradece àqueles que voltam a buscar nas palavras a lavra final. Assim, autoimune a si mesmo, a esmo, redescobre que gira, volta e gira outra vez na urgência de ser.

 (No som de Vander Lee)

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