Por Ronaldo Faria
A esquina, essa coisa doida,
doída e geométrica, meio linda e outro tanto tétrica, serve para determinar o
início ou fim da vida. Se virar à direita, bola. Se optar pela esquerda, búlica.
Mas quem quer saber o que virá? Em tempos de quase Carnaval, vale o que vier
como primeiro raio a brilhar. De soslaio, fica o restante da vida. Na aflita
fita de mapas e trajetórias, a história, estoica sensação de nunca ter fim.
A nova rua, que desce até
outra e depois outra e logo mais outra mais, é somente a dormente mente que
espera dormir bêbada e lúcida, foragida e homicida do destino incrédulo e
perdulário de segundos fugazes. Métricos e homéricos, às vezes derradeiros e
fétidos, destinos brincam de se embaralhar, enroscar, catar pedaços de pele e senões em sensações.
Em unções, feéricas cauções de emoções, o adeus é o sim.
Em meio a tudo, a cidade que
dorme incólume a colorir a solidão e os cheiros de saudade nos pescoços ocos se
não tiverem tesão e amor para ter e dar. Nos minúsculos apartamentos, lamentos, gozos fortuitos e algo que se apraz. Talvez beijo tresloucado entre lambidas que dormem
angustiadas de saudades plenas, fonemas que se misturam a dizer eu te amo e tudo
mais. No planeta, gametas buscam algo pra fazer realizar da tragédia a comédia do lugar.
(Ao som de Pedro Salomão)
.jpg)