terça-feira, 8 de setembro de 2026

"Por que eu canto blues?"

 Por Edmilson Siqueira 


A pergunta do título do artigo é a mesma da capa do disco. E quem faz a pergunta é ninguém menos que B. B. King, considerado o Rei do Blues mui justamente. 
E, em se tratando de B.B.King, a resposta é fácil e ela está totalmente decifrada nas dez faixas do disco (mais uma introdução) que se estendem por quase uma hora (58 minutos e 16 segundos para ser mais preciso) de puro blues. 
Mas, é bom que se esclareça, há dois discos com esse título, ambos ótimos, diga-se. Um é uma coletânea que reúne dez gravações feitas principalmente no final dos anos 1960 e início dos 1970, período especialmente fértil na carreira de King. Na época de seu lançamento, portanto, o álbum funcionava como uma espécie de porta de entrada para uma fase decisiva da obra do guitarrista e cantor. 
Só que no mesmo ano de lançamento desse disco (1983), B.B.King se apresentou no Palais des Festival et des Congrès durante o Evento Anual do Mercado Musical (MIDEM) em Cannes. E essa apresentação foi gravada, transformando-se depois no disco "Why I Sing The Blues - In Concert - Cannes 1983". E, embora os discos tenham praticamente o mesmo nome, o repertório de um é completamente diferente do outro. 
E esse artigo é sobre o disco ao vivo gravado no sul da França. 
Nele, o Rei do Blues está mais do que à vontade, à frente de uma banda, a "B.B.King Orchestra", composta por James Bolden no trompete, Joseph Carrier nos teclados, Calep Emphrey Jr na bateria, Edgar Synigal Jr. no saxofone e Leon Warren na guitarra. 
O disco começa com uma introdução curta, seguida de "BB's Theme", do próprio King, mas apenas instrumental que, por mais de 9 minutos de um ritmo frenético, dá uma ideia precisa do que viria a seguir.  
A terceira faixa é a do título do disco "Why I Sing The Blues (King e Clarka). E também é só instrumental, com a mesma intensidade da anterior. 


Logo a seguir, o clima muda para uma música lenta - "Darling You Know I Love You", a terceira instrumental, que mistura a lentidão Inicial com um vigor mais acentuado da metade até o fim.  
Só na quinta faixa - "Caledonia" (Moore) - é que B.B.King solta seu vozeirão. E o faz de maneira total, iniciando a apresentação vocal de forma segura e inebriante. Destaque para os dois metais do grupo que dão um show. 
A sexta faixa - "All Over Again" (King e Adams) - começa com um solo, do próprio King em sua famosa guitarra "Lucille". Ao começar a cantar, lenta e vigorosamente, a plateia não resista e a primeira frase do cantor é saudada com palmas. A música é um exemplar perfeito do mais tradicional blues do sul dos Estados Unidos e a intepretação de King é formidável.   
A faixa seguinte é um sucesso mundial. "Everyday I Have The Blues" (Chatman) já foi gravada por dezenas de cantores de blues. E King não deixa por menos em sua versão de quase cinco minutos da clássica composição. 
"Sweet Little Angel" (King e Taub), como o título sugere, é um daquele blues chorosos e lentos, onde a guitarra pontifica numa longa introdução que consome metade dos seis minutos de duração da faixa. 
A nona faixa nos traz "The Thrill Is Gone" (King), música triste, como a maioria dos blues, diga-se, que retrata o fim de um romance e onde King se dá muito bem, tanto que é uma das mais aplaudidas.  
Em seguida, "Guess Who" (King), outra oportunidade de King mostrar suas virtudes na guitarra que o fizeram um dos mais respeitados instrumentistas inclusive no meio do rock. Na música, a voz do cantor é substituída por um efeito sonoro tirado com maestria dos teclados.  
Por fim, "Payn' The Cost To The Boss" (King) encerra o disco. Com seu ritmo marcante acompanhado com palmas pela plateia, a canção encerra uma apresentação de gala do Rei do Blues na Europa, onde possui não só fãs famosos entre os grandes do rock, mas um público enorme que sempre prestigiava suas apresentações.  
B.B.King morreu em maio de 2015, aos 89 anos, deixando um legado incomparável na música norte-americana, reconhecido por dezenas de prêmios e condecorações oficiais.   
O CD está à venda nos bons sites do ramo e pode ser ouvido na íntegra no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=odXtLPIpxAA . 



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