Por Edmilson Siqueira
Bill Evans é desses artistas que não só criaram uma forte presença na cena musical norte-americana a partir dos anos 1950, como participou ativamente das transformações que o jazz teve num período particularmente criativo.
Para se ter uma ideia melhor de sua influência, ele estava, no fim dos anos 1950, no sexteto de Miles Davis que culminou com o lançamento de "Kind of Blue", um disco que ajudou a redefinir a linguagem harmônica do jazz e é considerado um dos mais importantes da história do gênero.
Ao longo da década seguinte, seus trios estabeleceram novos padrões de interação entre piano, baixo e bateria, criando um diálogo mais democrático para a música improvisada.
Mas os anos 1970 muitos artistas estavam numa encruzilhada: o mercado se revirou com as novas tendências musicais, principalmente o pop e o rock, levando muitos deles a tentarem novos rumos. Alguns até fizeram sucesso, mas foram poucos.
Bill Evans, porém, decidiu não seguir modismos. Em vez disso, procurou se aprimorar naquilo que fazia de melhor, incorporando novos elementos ao seu universo sonoro. É nesse contexto que surge esse "The Bill Evans Album", com ele ao piano acústico e elétrico, Eddie Gomez no contrabaixo acústico e Marty Morell na bateria.
O trio demonstra uma impressionante unidade musical. E jazz, como se sabe, se baseia no improviso, onde a comunicação entre os músicos é essencial. No caso, ela é instantânea, permitindo que cada composição se desenvolva com grande liberdade e espontaneidade.
Ao não se apegar ao modismo da época, a impressão que passa é que Bill Evans era um artista tradicionalista, preso a uma única maneira de mostrar sua arte. Pois ao usar um piano elétrico Fender Rhodes no álbum, ele demostra a abertura de seus horizontes e que sua permanência no gênero não era sinal de teimosia, apenas de talento e de gosto musical. Um ótimo gosto musical por sinal, pois ele o novo instrumento sem abrir mão de suas características essenciais. O resultado não se aproxima do fusion mais agressivo praticado por outros músicos da época; ao contrário, mantém a elegância, o lirismo e a profundidade harmônica que sempre marcaram sua obra.
O LP original, lançado em 1971, tinha sete faixas. Ao produzir um CD do álbum, decidiram colocar mais três faixas, todas elas como "takes" alternativos. As sete faixas são de autoria de Bill Evans (somente numa delas ele tem a parceria de Carol Hall).
O repertório combina composições originais e releituras cuidadosamente escolhidas. Entre os destaques está “Funkallero”, uma peça que havia sido composta anos antes, mas que ganhou aqui sua primeira gravação oficial. A música revela uma faceta menos conhecida de Evans, marcada por um balanço sutil e por uma estrutura harmônica rica e inventiva. A composição tornou-se uma das favoritas dos admiradores do pianista e passou a integrar o repertório de inúmeros músicos de jazz.
Outra faixa importante é “The Two Lonely People”, que é a parceria de com a letrista Carol Hall. A melodia delicada e contemplativa exemplifica a capacidade do pianista de criar temas de grande beleza emocional sem recorrer ao sentimentalismo excessivo. A peça tornou-se uma das composições mais duradouras de seu catálogo.
Para se ter uma ideia melhor de sua influência, ele estava, no fim dos anos 1950, no sexteto de Miles Davis que culminou com o lançamento de "Kind of Blue", um disco que ajudou a redefinir a linguagem harmônica do jazz e é considerado um dos mais importantes da história do gênero.
Ao longo da década seguinte, seus trios estabeleceram novos padrões de interação entre piano, baixo e bateria, criando um diálogo mais democrático para a música improvisada.
Mas os anos 1970 muitos artistas estavam numa encruzilhada: o mercado se revirou com as novas tendências musicais, principalmente o pop e o rock, levando muitos deles a tentarem novos rumos. Alguns até fizeram sucesso, mas foram poucos.
Bill Evans, porém, decidiu não seguir modismos. Em vez disso, procurou se aprimorar naquilo que fazia de melhor, incorporando novos elementos ao seu universo sonoro. É nesse contexto que surge esse "The Bill Evans Album", com ele ao piano acústico e elétrico, Eddie Gomez no contrabaixo acústico e Marty Morell na bateria.
O trio demonstra uma impressionante unidade musical. E jazz, como se sabe, se baseia no improviso, onde a comunicação entre os músicos é essencial. No caso, ela é instantânea, permitindo que cada composição se desenvolva com grande liberdade e espontaneidade.
Ao não se apegar ao modismo da época, a impressão que passa é que Bill Evans era um artista tradicionalista, preso a uma única maneira de mostrar sua arte. Pois ao usar um piano elétrico Fender Rhodes no álbum, ele demostra a abertura de seus horizontes e que sua permanência no gênero não era sinal de teimosia, apenas de talento e de gosto musical. Um ótimo gosto musical por sinal, pois ele o novo instrumento sem abrir mão de suas características essenciais. O resultado não se aproxima do fusion mais agressivo praticado por outros músicos da época; ao contrário, mantém a elegância, o lirismo e a profundidade harmônica que sempre marcaram sua obra.
O LP original, lançado em 1971, tinha sete faixas. Ao produzir um CD do álbum, decidiram colocar mais três faixas, todas elas como "takes" alternativos. As sete faixas são de autoria de Bill Evans (somente numa delas ele tem a parceria de Carol Hall).
O repertório combina composições originais e releituras cuidadosamente escolhidas. Entre os destaques está “Funkallero”, uma peça que havia sido composta anos antes, mas que ganhou aqui sua primeira gravação oficial. A música revela uma faceta menos conhecida de Evans, marcada por um balanço sutil e por uma estrutura harmônica rica e inventiva. A composição tornou-se uma das favoritas dos admiradores do pianista e passou a integrar o repertório de inúmeros músicos de jazz.
Outra faixa importante é “The Two Lonely People”, que é a parceria de com a letrista Carol Hall. A melodia delicada e contemplativa exemplifica a capacidade do pianista de criar temas de grande beleza emocional sem recorrer ao sentimentalismo excessivo. A peça tornou-se uma das composições mais duradouras de seu catálogo.
O álbum também apresenta interpretações inspiradas de obras contemporâneas, evidenciando a abertura estética de Evans. Em vez de limitar-se ao repertório tradicional do jazz, ele procurava dialogar com a música de seu tempo, transformando canções populares em sofisticados veículos para improvisação. Essa habilidade de reinterpretar material alheio foi uma das marcas mais consistentes de sua carreira.
O reconhecimento da crítica foi imediato. O álbum recebeu o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Jazz por Grupo, um prêmio que confirmou a relevância artística do trabalho. Mais do que um simples sucesso de crítica, a gravação consolidou a imagem de Evans como um artista capaz de permanecer relevante em um cenário musical em constante transformação.
Bill Evans morreu 9 anos depois do lançamento desse disco, em 1980, aos 51 anos. Sua carreira foi encurtada devido a problemas com drogas que minaram severamente sua saúde. Apesar da saúde abalada, ele conseguiu manter um alto padrão de qualidade musical em sua discografia.
De acordo com o famoso crítico de jazz Joachim E. Berendt, "Evans foi o primeiro pianista moderno modal. Seu fraseado elegante e suas harmonias sofisticadas indicam influências de Debussy, Ravel e, recuando um pouco no tempo, até mesmo Chopin."
Hoje, mais de cinco décadas após seu lançamento, The Bill Evans Album continua sendo uma obra fundamental para compreender a evolução do pianista e do próprio jazz.
O CD pode ser comprado nos bons sites do ramo (encontrei na Amazon) e pode ser ouvido na integra no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=IDDx9icnm28&list=PLgc-c3Upo-dCu8ORREuzQwhqsZu670Spy .
O reconhecimento da crítica foi imediato. O álbum recebeu o Grammy de Melhor Performance Instrumental de Jazz por Grupo, um prêmio que confirmou a relevância artística do trabalho. Mais do que um simples sucesso de crítica, a gravação consolidou a imagem de Evans como um artista capaz de permanecer relevante em um cenário musical em constante transformação.
Bill Evans morreu 9 anos depois do lançamento desse disco, em 1980, aos 51 anos. Sua carreira foi encurtada devido a problemas com drogas que minaram severamente sua saúde. Apesar da saúde abalada, ele conseguiu manter um alto padrão de qualidade musical em sua discografia.
De acordo com o famoso crítico de jazz Joachim E. Berendt, "Evans foi o primeiro pianista moderno modal. Seu fraseado elegante e suas harmonias sofisticadas indicam influências de Debussy, Ravel e, recuando um pouco no tempo, até mesmo Chopin."
Hoje, mais de cinco décadas após seu lançamento, The Bill Evans Album continua sendo uma obra fundamental para compreender a evolução do pianista e do próprio jazz.
O CD pode ser comprado nos bons sites do ramo (encontrei na Amazon) e pode ser ouvido na integra no YouTube em https://www.youtube.com/watch?v=IDDx9icnm28&list=PLgc-c3Upo-dCu8ORREuzQwhqsZu670Spy .
*A pesquisa para este artigo teve auxílio da IA do ChatGPT.

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