Por Ronaldo Faria
Presepadas taradas, tergiversadas,
alquimistas doidões em senões. Por que não? Se não há solução, façamos limonada
ou caipirinha com os limões que sobram nas geladeiras e ladeiras das cidades em
ecos. Soluções e unções prévias? Tragédias de antemão. Na anarquia da frígida e
insolvente gratidão, o gato pula à frente da imensidão. Pelo sim, pelo não,
pelo felino sobra no chão. Sofreguidão iluminada na hora doidivanas em que
versos e Vânias, data vênia, viram algo quase igual. Para Florisbela, com buquê
de camélias nas mãos, a vida da estratosfera pode até ser bela...
Na insondável e insensível jornada
em que se sabe de tudo e de nada, marchas de Carnaval se misturam e se trituram
torturadas. Uníssonas, tocam um toque guardado e quadrado no solstício da felicidade
que bebe chope de maracujá e outros de morango. Na rua, um poeta baiano tenta
vender sua autocrítica para quem se acha de esquerda. Tudo, claro, sem treta. “Não
tem cédula ou PIX?” – questiona na tristeza daqueles que têm a solução do mundo
debaixo do braço. Geraldo pede desculpas e diz que não. Ao menos não levou rabo
de arraia no dorso em dor.
Diante da cena, performance de
vapor e louvor ao amor, o casal se acasala em toques de dedos e joelhos no fulgor.
Olhos dispersos no lembrar da insólita hóstia de línguas exíguas dada sob a
escada que se destaca utópica no passado árduo e fátuo. Em meio a tudo,
Florisbela e Geraldo, nos arcabouços loucos de um segundo na intempérie famélica
e bélica de ser o que se quer ser ou viver às amarras do feirante que vende jilós
e queijos na cura desejada, vão a falar baixo para não acordar a tarde a se entregar
à lua que espera ser dona única e múltipla do céu.
Em meio a tanto senão, incenso
indiano rola no ar que desenrola a ligação entre o homem, o santo e a fé. Nos
medos, ensejos e premências, dois seres se limitam aos primórdios da humanidade
onde o mal e o bem ainda não eram somente o lado bom e mau. E vivem suas
incongruências, clemências, demências e essências. Geraldo sonha que nem bobo
com o churrasco de poeta asceta a que nunca irá. Florisbela, na sua beleza efêmera
e perpétua, mocinha de rima e ruma de versos, busca apenas saber se a vida é
pena ou penar. Nalgum lugar, surge um poeta cego como professor de filosofia.
(Com Tom Zé, esse maestro e mestre a roçar)
