Por Ronaldo Faria
-- Quem sabe depois da minha
morte eu não viro Van Gogh?
A pergunta de Galileu de repente soou lúdica e incisiva na mesa de bar.
-- Como é que é?
-- Isso. Ser reconhecido apenas quando bater as onze...
-- Sei, sei. Fausto, desce mais algumas que o amigo aqui começou a delirar.
Na roda de amigos, seis ao todo, Galileu (recebera o nome em homenagem do pai que queria ver seu filho ser genial) viajava na maionese temperada que abastecia as batatas fritas já frias.
-- É foda, mas é verdade. Tem gente que só vira celebridade depois da morte. Chega um alguém que você nem sabe quem é e tal e descobre que o defunto era foda, mas ninguém dava conta de saber em vida.
-- Entendo. Posso encher o copo?
-- Claro, caralho. Mas vocês não concordam comigo?
Uma votação rápida é feita na mesa e o placar dá quatro a um favoráveis à tese do futuro fenômeno. Galileu, é óbvio, não votou. Somente Juvenal discordou.
-- Porra, Juva, qual foi a sua?
-- Galileu, de boa, se em vida você não virou, não vai ser na morte, quando nem poderá se mexer, que mudará de posição.
-- Mas, meu, pra virar celebridade não precisa se mexer depois de virar comida de verme.
-- Galileu, eu discordo. Posso? Você ganhou a votação. Já pode se considerar um Renoir.
-- Vai à puta que te pariu! Não sabe brincar não vem pro parquinho!
Nas mesas do lado a rolarem soltas e coitas na noite quente da Lapa, o papo é sobre Oscar, prisão de capitão e o samba que vai arrebentar na avenida.
-- Vamos fazer o seguinte: todo mundo concorda que 19 não são 20?
Dessa vez deu seis a zero. Galileu pôde votar.
-- Então, meu cacete duro e roliço, chega de querer prever o futuro. Ninguém aqui tem brevê de cartomante e nem jeito pra mãe de santo. Então vamos encher a cara que Carnaval é só uma vez por ano! Fausto, traz logo um balde com doze long neck que é pra esses merdas pararem de discordar. E repete a batata, mas completa com uma porção de calabresa apimentada e acebolada.
Ao pedido, creiam, as mesas mais próximas aplaudiram. Galileu, o futuro Van Gogh em infortúnio fortuito, ergueu o copo para todos brindarem. Na vida que a perfídia traduz, uma pomba resolve cagar e um cachorro vira-lata para no lugar à espera que alguém o possa alimentar. E o bar? Ah, o bar é só mais um bar...
A pergunta de Galileu de repente soou lúdica e incisiva na mesa de bar.
-- Como é que é?
-- Isso. Ser reconhecido apenas quando bater as onze...
-- Sei, sei. Fausto, desce mais algumas que o amigo aqui começou a delirar.
Na roda de amigos, seis ao todo, Galileu (recebera o nome em homenagem do pai que queria ver seu filho ser genial) viajava na maionese temperada que abastecia as batatas fritas já frias.
-- É foda, mas é verdade. Tem gente que só vira celebridade depois da morte. Chega um alguém que você nem sabe quem é e tal e descobre que o defunto era foda, mas ninguém dava conta de saber em vida.
-- Entendo. Posso encher o copo?
-- Claro, caralho. Mas vocês não concordam comigo?
Uma votação rápida é feita na mesa e o placar dá quatro a um favoráveis à tese do futuro fenômeno. Galileu, é óbvio, não votou. Somente Juvenal discordou.
-- Porra, Juva, qual foi a sua?
-- Galileu, de boa, se em vida você não virou, não vai ser na morte, quando nem poderá se mexer, que mudará de posição.
-- Mas, meu, pra virar celebridade não precisa se mexer depois de virar comida de verme.
-- Galileu, eu discordo. Posso? Você ganhou a votação. Já pode se considerar um Renoir.
-- Vai à puta que te pariu! Não sabe brincar não vem pro parquinho!
Nas mesas do lado a rolarem soltas e coitas na noite quente da Lapa, o papo é sobre Oscar, prisão de capitão e o samba que vai arrebentar na avenida.
-- Vamos fazer o seguinte: todo mundo concorda que 19 não são 20?
Dessa vez deu seis a zero. Galileu pôde votar.
-- Então, meu cacete duro e roliço, chega de querer prever o futuro. Ninguém aqui tem brevê de cartomante e nem jeito pra mãe de santo. Então vamos encher a cara que Carnaval é só uma vez por ano! Fausto, traz logo um balde com doze long neck que é pra esses merdas pararem de discordar. E repete a batata, mas completa com uma porção de calabresa apimentada e acebolada.
Ao pedido, creiam, as mesas mais próximas aplaudiram. Galileu, o futuro Van Gogh em infortúnio fortuito, ergueu o copo para todos brindarem. Na vida que a perfídia traduz, uma pomba resolve cagar e um cachorro vira-lata para no lugar à espera que alguém o possa alimentar. E o bar? Ah, o bar é só mais um bar...

Nenhum comentário:
Postar um comentário