Por Ronaldo Faria
Aqui, a brincar com as letras
esotéricas e elétricas que surgem bêbadas e cansadas de se repetirem, a frágil
frigidez do idílico rememorar. Passarinhos a dormir não pedem para surgir no
revoar de rodopios. Neles, não há um pio. Quietos e verdadeiros equilibristas que
não caem dos galhos onde mal se seguram na árvore alquebrada e calada, são arbóreos
e calcinados, seres inatos. Que ainda voam e se adaptam à realidade da verdade na
própria sorte. Fossem minimante plausíveis, voariam para o que resta da Amazônia
atônita em se ver virar pasto.
Daqui, a resistir na dor da coluna que
sequer sabe a história nas vitórias de Luís Carlos Prestes e desiste rápido de
lutar, viramos resistente que acredita na brincadeira de ser responsável por
algo do além repetir. Obaluaê é
Atotô no silêncio que ao fim de todos nós sobrará. Tudo feito fetiche
que nos engana em ser feliz. No destino pressentido de nordestino que nasceu errado
por causa do pai que mais quis à realidade dobrar e se equilibrar num esmeris. Mas,
se fizemos igual, que mal há? A tal realidade não será somente e apenas eterna saudade
viral?
No
mundo virtual, sem começo, chegada ou local, que se faça o próximo passo o
antepasto que não comeremos amanhã. Na manha que entorna e se torna factível ao
célere fatal sem fim, sejamos alguém quem sabe total. Feito o animal que dorme
nas cinzas da espera do humano chegar, possamos nos embriagar e reencontrar frases,
vozes, lembranças, andanças, reentrâncias que já esquecemos, emoções guardadas
e fatais. Ademais, para que serve, na verve, crer que a criação vira mansidão? Em todos nós, que sobreviva a inerte e fátua ilusão.
(No som de Luiz Tatit)

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