quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Já que a dor é exequível, façamo-nos

Por Ronaldo Faria


Aqui, a brincar com as letras esotéricas e elétricas que surgem bêbadas e cansadas de se repetirem, a frágil frigidez do idílico rememorar. Passarinhos a dormir não pedem para surgir no revoar de rodopios. Neles, não há um pio. Quietos e verdadeiros equilibristas que não caem dos galhos onde mal se seguram na árvore alquebrada e calada, são arbóreos e calcinados, seres inatos. Que ainda voam e se adaptam à realidade da verdade na própria sorte. Fossem minimante plausíveis, voariam para o que resta da Amazônia atônita em se ver virar pasto.
Daqui, a resistir na dor da coluna que sequer sabe a história nas vitórias de Luís Carlos Prestes e desiste rápido de lutar, viramos resistente que acredita na brincadeira de ser responsável por algo do além repetir. Obaluaê é Atotô no silêncio que ao fim de todos nós sobrará. Tudo feito fetiche que nos engana em ser feliz. No destino pressentido de nordestino que nasceu errado por causa do pai que mais quis à realidade dobrar e se equilibrar num esmeris. Mas, se fizemos igual, que mal há? A tal realidade não será somente e apenas eterna saudade viral?
No mundo virtual, sem começo, chegada ou local, que se faça o próximo passo o antepasto que não comeremos amanhã. Na manha que entorna e se torna factível ao célere fatal sem fim, sejamos alguém quem sabe total. Feito o animal que dorme nas cinzas da espera do humano chegar, possamos nos embriagar e reencontrar frases, vozes, lembranças, andanças, reentrâncias que já esquecemos, emoções guardadas e fatais. Ademais, para que serve, na verve, crer que a criação vira mansidão? Em todos nós, que sobreviva a inerte e fátua ilusão.
 
(No som de Luiz Tatit)

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