Por Ronaldo Faria
Gedeão, sem noção sobre seu
futuro, sua ao sol sobre seu cavalo que sua ainda mais a trotar. O vento,
inexistente, sopra onde nenhum corpo vê. Talvez sobreviver de pequenos desejos,
ensejos deflagrados e degredados de seres presos aos seus grilhões de fastios e
fatalidades mil. Mas ele, sapiente e sábio de que quando acordar no amanhã tudo
será grande vazio de fastio de lucidez, tez degradada e fadada a pouco ser,
segue no seu cavalo manco e troncho, a brincar de trilhar o destino que Deus sacana
lhe deu.
Gedeão, na prisão de grades e
chaves perdidas nalgum lugar, caminha seu mundo fortuito em introitos e sucumbências.
Nas ausências que a anuência do fim nos dá, falácias falam que o que importa é
não se importar. Nos portos e pórticos que se fazem chegada e chegança de
desejos e amores mil que se perderão em corpos suados e sedentos de ser àquilo
que foram criados, amantes se amam em nuvens raras e claras.
Gedeão, na gratidão que os
santos do altar da capela cagada de morcegos sabe dar, ora à virgem santíssima
para seu retorno ao corpo da suposta amada. E cair nos braços sedentos de beijos
e cheiros, penetrações e benfazejos gozos e fastios de amar. Logo ali na frente,
defronte da casa de pau a pique, barro e vidas, a certeza de que a veleidade
benfazeja se sobrepõe às carícias finitas. Assim, faz-se a bela vendeta da
dança.
Gedeão, particípio presente e
passado, seja lá o que isso for, segue seu universo sem verso no credo da
crença que a anuência da premência deixa ficar. Nalgum cantinho, desses que o aninho
já se faz bom grado, o graveto da árvore morta grita no crepitar das chamas que
chamuscam a poesia que é igual pilão a quebrar semente que nunca irá brotar. Na
beira do rio, pés fazem arruamento naquilo que se ainda se tem a sonhar.
(A ouvir e ver Edu Lobo)

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